Manejo do Estado de Mal Epiléptico na Pediatria

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos e 8 meses de idade, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro por epi sódio convulsivo tônico-clônico generalizado iniciado há poucos minutos. A mãe refere febre baixa notada desde hoje pela manhã, associada à sonolência e à recusa alimentar. Não há história familiar de epilepsia. Na chegada, encontra-se em atividade convulsiva contínua, escala de coma de Glasgow: 10; SatO₂: 91% em ar ambiente; FC: 142 bpm; PA: 88x52 mmHg; temperatura: 38,3°C; glicemia capilar: 88 mg/dL. É levado à sala de emergência, onde é obtido acesso venoso periférico, iniciada administração de oxigênio por máscara não reinalante e colocada monitorização cardíaca. Qual deve ser a conduta imediata?

Alternativas

  1. A) Administrar antitérmico endovenoso e aguardar resolução da febre para decidir sobre a necessidade da abordagem da crise convulsiva.
  2. B) Administrar benzodiazepínico de ação rápida por via endovenosa, monitorando permeabilidade da via aérea e controle da ventilação.
  3. C) Realizar intubação orotraqueal sem necessidade de pré-medicação e só administrar benzodiazepínico após garantir via aérea avançada.
  4. D) Realizar tomografia de crânio e punção lombar antes de qualquer outra medida, para não ter risco de prejudicar a investigação etiológica.

Pérola Clínica

Crise convulsiva ativa > 5 min → Benzodiazepínico EV (Diazepam 0,2mg/kg ou Midazolam 0,1mg/kg).

Resumo-Chave

O tratamento imediato do estado de mal epiléptico visa cessar a atividade elétrica cerebral anormal para minimizar danos neurológicos e complicações sistêmicas como hipóxia e acidose.

Contexto Educacional

O estado de mal epiléptico (EME) é uma emergência médica definida por crises prolongadas (>5 min) ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. Na pediatria, a febre é o gatilho mais comum. O manejo segue a lógica do suporte avançado de vida (PALS): Estabilização das vias aéreas, oxigenação e circulação (ABC), seguida imediatamente pelo controle farmacológico. A demora no tratamento aumenta o risco de sequelas neurológicas permanentes e resistência aos medicamentos.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira linha de tratamento farmacológico na crise convulsiva ativa?

A primeira linha de tratamento para crises convulsivas que duram mais de 5 minutos (estado de mal epiléptico iminente) são os benzodiazepínicos. As opções preferenciais são o Diazepam (0,15-0,2 mg/kg EV) ou Midazolam (0,1-0,2 mg/kg EV ou IM). Se não houver acesso venoso, o Midazolam intramuscular ou o Diazepam retal são alternativas eficazes. O objetivo é a interrupção rápida da crise para prevenir a progressão para estado de mal epiléptico refratário.

Quando indicar exames de imagem em uma crise febril?

A maioria das crises febris simples não requer exames de imagem. A neuroimagem (TC ou RM) está indicada em crises focais, presença de sinais neurológicos focais persistentes, sinais de hipertensão intracraniana, trauma craniano associado ou quando a recuperação do nível de consciência é excessivamente lenta após o período pós-ictal. No caso em questão, a prioridade absoluta é o controle da crise antes de qualquer investigação diagnóstica adicional.

Como proceder se a crise não cessar após a primeira dose de benzodiazepínico?

Se a crise persistir após 5 minutos da primeira dose de benzodiazepínico, uma segunda dose pode ser administrada. Caso a atividade convulsiva continue, deve-se iniciar a segunda etapa do protocolo com anticonvulsivantes de ação prolongada, como Fenitoína (20 mg/kg), Fenobarbital ou Levetiracetam. É crucial monitorar continuamente a via aérea e a ventilação, pois os benzodiazepínicos podem causar depressão respiratória, especialmente em doses repetidas.

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