AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente de 32 anos, masculino, é recebido pela equipe de emergência de um pronto atendimento localizado no interior paranaense com história de, subitamente, evoluir com perda de consciência, abalos musculares rítmicos de membros superiores e inferiores, cianose central e liberação esfincteriana há cerca de 45 minutos. No momento da avaliação inicial encontra-se comatoso, taquicardíaco, pupilas midriáticas e com nistagmo vertical, além de ligeiras contrações rítmicas apenas em membro superior direito. Após a estabilização inicial, assinale a alternativa correta:
Coma + nistagmo/miclonias após crise tônico-clônica = Estado de Mal Epiléptico (EME).
O Estado de Mal Epiléptico (EME) pode persistir com manifestações motoras sutis (como nistagmo ou pequenas miclonias) após a fase convulsiva franca. O tratamento de resgate com benzodiazepínicos é obrigatório.
O manejo do Estado de Mal Epiléptico (EME) segue uma sequência temporal rígida. A fase inicial (0-5 min) foca na estabilização (ABC) e glicemia capilar. A fase de terapia inicial (5-20 min) utiliza benzodiazepínicos (Diazepam 10mg IV ou Midazolam IM). Se a crise persistir, entra-se na fase de terapia secundária (20-40 min) com anticonvulsivantes intravenosos de longa duração, como Fenitoína (20mg/kg), Levetiracetam ou Valproato. O caso clínico apresentado é clássico: um paciente que teve uma crise prolongada (45 min) e mantém sinais de atividade cerebral (nistagmo e miclonias focais) apesar da redução dos abalos generalizados. Isso não é um estado pós-ictal, mas sim a persistência do estado de mal, exigindo terapia de resgate imediata. A identificação correta evita a progressão para lesão neurológica definitiva por excitotoxicidade.
O Estado de Mal Epiléptico é definido operacionalmente como uma crise convulsiva que dura mais de 5 minutos ou a ocorrência de duas ou mais crises sem recuperação completa da consciência entre elas. Fisiopatologicamente, representa uma falha nos mecanismos de término da crise ou o início de mecanismos que levam a crises anormalmente prolongadas. Após 30 minutos de atividade contínua (Tempo T2), há risco significativo de lesão neuronal irreversível e morte, tornando o EME uma emergência neurológica crítica que exige intervenção farmacológica imediata.
Os benzodiazepínicos (como Diazepam, Midazolam ou Lorazepam) são a primeira linha devido ao seu rápido início de ação e alta eficácia na modulação dos receptores GABA-A, aumentando a inibição sináptica. No EME, ocorre uma internalização dos receptores GABA e uma externalização de receptores excitatórios (NMDA), o que torna o cérebro progressivamente resistente aos benzodiazepínicos conforme o tempo passa. Por isso, a administração precoce (nos primeiros minutos) é crucial para o sucesso da interrupção da crise antes que a farmacoresistência se instale.
O EME convulsivo generalizado pode evoluir para uma fase onde as contrações tônico-clônicas vigorosas desaparecem devido à exaustão muscular ou dissociação eletromecânica, mas a atividade epiléptica cerebral persiste. Clinicamente, o paciente permanece em coma, mas apresenta sinais sutis como nistagmo rítmico, desvio ocular conjugado ou miclonias leves de extremidades ou face. Essa condição ainda é considerada uma emergência convulsiva (EME 'sutil') e deve ser tratada agressivamente como o EME generalizado para evitar dano cerebral permanente.
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