UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2024
Escolar com 7 anos, deu entrada na emergência com quadro de convulsão tônicoclônica generalizada de início há cerca de 20 minutos. Mãe refere o diagnóstico de paralisia cerebral e epilepsia. Faz uso regular de carbamazepina, mas a medicação acabou há 3 dias. No momento está monitorado, afebril, com via aérea segura e oxigênio nasal.Frequência cardíaca: 110 bpm, pressão arterial: 110/70 mmHg. Glicemia capilar de 90 mg%. Exames laboratoriais foram coletados. Com relação ao tratamento medicamentoso a ser instituído podemos afirmar:
Estado de mal epiléptico: Benzodiazepínico IV é 1ª linha; se sem acesso, usar IM/retal/nasal.
Em um estado de mal epiléptico, a prioridade é cessar a atividade convulsiva rapidamente para evitar danos cerebrais. Os benzodiazepínicos são a primeira linha devido ao seu rápido início de ação. A via de administração pode ser adaptada à situação clínica, garantindo que o tratamento não seja atrasado pela dificuldade de acesso venoso.
O estado de mal epiléptico (EME) é uma emergência neurológica caracterizada por atividade convulsiva prolongada ou crises repetidas sem recuperação da consciência. É uma condição tempo-dependente, onde o atraso no tratamento aumenta o risco de morbidade e mortalidade. A etiologia pode ser variada, incluindo interrupção de medicação antiepiléptica, infecções do SNC, distúrbios metabólicos ou lesões cerebrais agudas. Em crianças com paralisia cerebral e epilepsia, a descontinuação da medicação é uma causa comum. A abordagem inicial do EME foca na estabilização do paciente (via aérea, respiração, circulação) e na interrupção da crise. Os benzodiazepínicos são a medicação de primeira linha devido ao seu rápido início de ação e eficácia. Lorazepam IV é frequentemente preferido, mas diazepam IV ou midazolam IV/IM/intranasal são alternativas válidas. A capacidade de administrar a medicação por vias alternativas (IM, retal, nasal) é crucial para evitar atrasos no tratamento quando o acesso venoso é difícil, especialmente em crianças. Após o controle da crise com benzodiazepínicos, é essencial iniciar um anticonvulsivante de segunda linha (como fenitoína, fosfenitoína, levetiracetam ou ácido valproico) para manter o controle e prevenir recorrências. A investigação da causa subjacente é fundamental para o manejo a longo prazo e para evitar futuros episódios. O monitoramento contínuo e o suporte intensivo são frequentemente necessários, especialmente em casos refratários.
Estado de mal epiléptico é definido como uma convulsão contínua por mais de 5 minutos ou duas ou mais convulsões sem recuperação completa da consciência entre elas. É uma emergência médica porque a atividade convulsiva prolongada pode levar a lesão cerebral permanente, disfunção orgânica e até morte.
Os benzodiazepínicos recomendados incluem lorazepam (preferencial, se disponível), diazepam e midazolam. A via intravenosa é a preferencial para um rápido início de ação. No entanto, em caso de ausência de acesso venoso, midazolam intramuscular ou intranasal, ou diazepam retal, são opções eficazes para evitar atrasos.
Após a administração do benzodiazepínico e cessação da crise, deve-se iniciar um anticonvulsivante de segunda linha para prevenção de novas crises, como fenitoína, fosfenitoína, levetiracetam ou ácido valproico. É crucial investigar e tratar a causa subjacente da convulsão.
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