TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Paciente de 22 anos, com diagnóstico de epilepsia desde os 18 anos. Ficou sem utilizar suas medicações nos últimos dois dias. Trazido ao pronto atendimento por familiares, que relatam que paciente apresentou em casa duas crises tônico-clônicas generalizadas, com duração de cerca de 3 minutos, sem recobrar a consciência entre elas. No caminho para o pronto atendimento, apresentou mais duas crises semelhantes e, nesse momento, está apresentando uma crise tônicoclônica generalizada que já dura 6 minutos. A conduta mais adequada para o caso descrito é:
Status Epilepticus → Benzodiazepínico (abortar crise) + Fenitoína (prevenir recorrência).
O tratamento do Estado de Mal Epiléptico exige ação rápida com benzodiazepínicos para cessar a atividade elétrica e anticonvulsivantes de longa duração para estabilização.
O Estado de Mal Epiléptico (EME) representa uma falha nos mecanismos naturais de término das crises ou o início de mecanismos que levam a crises anormalmente prolongadas. A fisiopatologia envolve a internalização de receptores GABA-A (inibitórios) e a persistência de receptores NMDA (excitatórios) na membrana sináptica, o que torna a crise progressivamente mais refratária ao tratamento farmacológico quanto mais tempo ela persiste. Por isso, o tempo é um fator crítico para a neuroproteção. O protocolo terapêutico é dividido em fases cronológicas. A fase inicial (5-20 min) foca na estabilização hemodinâmica e respiratória (ABCDE) e no uso de benzodiazepínicos. Se a crise persistir ou para garantir a estabilização após a cessação, inicia-se a segunda fase (20-40 min) com drogas antiepilépticas intravenosas de longa duração. A escolha da Fenitoína é clássica devido à sua eficácia comprovada e ampla disponibilidade, embora exija cautela rigorosa com o acesso venoso e monitorização hemodinâmica contínua.
O Estado de Mal Epiléptico é definido operacionalmente como uma crise convulsiva que dura mais de 5 minutos ou a ocorrência de duas ou mais crises sem recuperação da consciência entre elas. É uma emergência médica que requer intervenção imediata para evitar dano neuronal permanente, hipertermia, rabdomiólise e outras complicações sistêmicas graves.
Os benzodiazepínicos (como Diazepam ou Lorazepam) agem rapidamente nos receptores GABA para interromper a crise atual. No entanto, sua meia-vida de redistribuição é curta, o que pode permitir a recorrência. A Fenitoína é adicionada concomitantemente para fornecer controle de longo prazo e prevenir a recorrência das crises, agindo nos canais de sódio dependentes de voltagem.
A dose de ataque recomendada de fenitoína no Estado de Mal Epiléptico é de 15 a 20 mg/kg, administrada por via intravenosa. Deve-se respeitar a velocidade máxima de infusão de 50 mg/min em adultos para evitar efeitos colaterais cardiovasculares como arritmias e hipotensão arterial, monitorando sempre o traçado eletrocardiográfico durante a administração.
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