PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Paciente de 55 anos é trazido pelo SAMU ao pronto socorro com história de ter iniciado há 5 horas quadro confusional agudo associado a sinais focais. Durante o transporte, o paciente apresentou 3 episódios de crises convulsivas que foram revertidas com uso de Diazepam. Você examina o paciente e percebe que ele pontua 26 pontos na escala NIHSS, seu pulso é irregular, sua frequência cardíaca é de 108bpm e sua pressão arterial de 160x100 mmHg. O paciente segue apresentando curtas crises reentrantes, apesar do uso prévio do benzodiazepínico. Qual das opções a seguir seria a adequada para o controle do estado de mal epiléptico em que o paciente se apresenta.
BZD falhou no Status Epilepticus → Fenitoína 15-20mg/kg em infusão lenta (< 50mg/min) para evitar arritmias.
O estado de mal epiléptico requer terapia escalonada: após benzodiazepínicos, a fenitoína é a segunda linha, exigindo infusão lenta e monitorização cardíaca.
O Estado de Mal Epiléptico (EME) é uma emergência neurológica definida operacionalmente como uma crise convulsiva com duração superior a 5 minutos ou crises recorrentes sem recuperação do nível de consciência entre elas. O manejo segue o protocolo ABCDE, com foco na estabilização ventilatória e interrupção rápida da atividade elétrica cerebral para prevenir dano neuronal permanente. A fenitoína permanece como uma das principais escolhas para a fase de terapia de urgência (segunda linha). A dose de ataque (hidantalização) é de 15 a 20 mg/kg. É fundamental a monitorização eletrocardiográfica e da pressão arterial durante a infusão. Em pacientes com sinais focais e NIHSS elevado, como no caso clínico, deve-se também investigar etiologias estruturais agudas, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que pode ser a causa subjacente do estado epiléptico.
A infusão rápida de fenitoína (acima de 50 mg/min em adultos) está associada a riscos graves de toxicidade cardiovascular, incluindo hipotensão severa, bradicardia e arritmias ventriculares, além de prolongamento do intervalo QT. Isso ocorre devido ao propilenoglicol utilizado como solvente na formulação venosa, que possui efeitos depressores miocárdicos.
A fenitoína deve ser diluída exclusivamente em Soro Fisiológico 0,9%. Ela é incompatível com soluções glicosadas (Soro Glicosado 5%), pois o pH ácido da glicose causa a cristalização e precipitação da fenitoína, o que pode causar embolia e perda da eficácia terapêutica.
O tratamento de primeira linha (geralmente Diazepam ou Lorazepam) é considerado falho se as crises persistirem após duas doses adequadas ou se a atividade convulsiva durar mais de 5 a 10 minutos. Nesse ponto, deve-se iniciar imediatamente a segunda linha com drogas antiepilépticas de ação prolongada, como fenitoína, levetiracetam ou valproato de sódio.
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