Hiperglicemia e Desidratação: Manejo Inicial no Pronto Atendimento

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 70 anos, deu entrada em unidade de pronto atendimento apresentando quadro de confusão mental, sonolência e vertigem. Ao exame o paciente se apresenta hipocorado, com turgor cutâneo reduzido e mucosas desidratadas. Acompanhante refere que o paciente é diabético e há cerca de duas semanas não tem utilizado medicação de forma adequada. No momento, a glicemia capilar é de 420 mg/dl. Em relação ao quadro clínico assinale a alternativa correta quanto à conduta.

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar insulina regular em bomba de infusão.
  2. B) Deve-se iniciar 15 unidades de insulina regular.
  3. C) Deve-se iniciar O, 15U/kg de insulina NPH.
  4. D) Deve-se iniciar hidratação venosa com soro fisiológico.

Pérola Clínica

Hiperglicemia + desidratação grave em idoso → priorizar hidratação venosa com SF 0,9% antes da insulina.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com hiperglicemia acentuada e sinais de desidratação grave, a reposição volêmica com soro fisiológico é a conduta inicial mais importante para restaurar a perfusão e reduzir a osmolaridade, antes da administração de insulina, que pode agravar a hipovolemia e precipitar hipocalemia.

Contexto Educacional

O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) é uma complicação aguda grave do diabetes mellitus tipo 2, mais comum em idosos, caracterizada por hiperglicemia extrema, desidratação severa e hiperosmolaridade, sem cetoacidose significativa. É uma emergência médica com alta mortalidade se não tratada prontamente, exigindo reconhecimento rápido e intervenção adequada. A fisiopatologia envolve deficiência relativa de insulina e aumento dos hormônios contrarreguladores, levando a hiperglicemia e diurese osmótica, resultando em desidratação progressiva e aumento da osmolaridade sérica. O diagnóstico é clínico (confusão, sonolência, vertigem, sinais de desidratação) e laboratorial (glicemia > 600 mg/dL, osmolaridade > 320 mOsm/kg, pH > 7,3, sem cetonúria ou cetonemia significativa). A conduta inicial e mais crítica é a reposição volêmica agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e melhorar a perfusão. A insulinoterapia deve ser iniciada após a estabilização hemodinâmica e correção parcial da desidratação, para evitar piora da hipovolemia e hipocalemia. O monitoramento de eletrólitos, especialmente potássio, é fundamental durante todo o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em idosos com hiperglicemia?

Sinais incluem confusão mental, sonolência, vertigem, hipocorado, turgor cutâneo reduzido e mucosas desidratadas. Estes indicam a necessidade urgente de reposição volêmica para evitar complicações graves.

Por que a hidratação é a primeira conduta na hiperglicemia grave com desidratação?

A hidratação venosa com soro fisiológico 0,9% corrige a hipovolemia, melhora a perfusão tecidual e ajuda a reduzir a glicemia e a osmolaridade plasmática. Estabilizar o volume intravascular é crucial antes de iniciar a insulinoterapia, que pode agravar a desidratação.

Qual a diferença entre cetoacidose diabética e estado hiperosmolar hiperglicêmico?

A cetoacidose diabética (CAD) é caracterizada por cetonemia e acidose metabólica, comum em DM1. O estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) apresenta hiperglicemia mais acentuada (>600 mg/dL), desidratação grave e hiperosmolaridade, sem cetonemia ou acidose significativa, mais comum em DM2 idosos.

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