Crises Hiperglicêmicas: Diferenças entre CAD e EHH

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Considerando-se os quadros de hiperglicemia, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A bomba de infusão de insulina pode ser desligada no momento em que o valor do aníon gap esteja ≤ 11.
  2. B) Insulinoterapia pode ser iniciada uma vez que o valor do potássio esteja entre 3.3 e 3.1 mEq/L.
  3. C) Estado hiperosmolar representa menos do que 1% das internações por diabetes melito.
  4. D) Cetoacidose diabética é definida por: glicemia > 250 mg/dL, pH > 7.3 e cetonemia positiva.

Pérola Clínica

EHH é menos comum que CAD (<1% das internações por DM), mas apresenta maior mortalidade.

Resumo-Chave

O manejo das crises hiperglicêmicas foca na expansão volêmica e correção eletrolítica; a insulina nunca deve ser iniciada se o potássio estiver abaixo de 3.3 mEq/L.

Contexto Educacional

As crises hiperglicêmicas representam emergências endócrinas críticas. A CAD caracteriza-se pela tríade de hiperglicemia, acidose metabólica com anion gap elevado e cetonemia/cetonúria. O EHH define-se por hiperglicemia grave (frequentemente > 600 mg/dL), osmolaridade plasmática elevada (> 320 mOsm/kg) e desidratação profunda, com mínima ou nenhuma acidose. O tratamento baseia-se em três pilares: hidratação venosa agressiva (inicialmente com salina 0,9%), reposição de potássio e insulinoterapia. A monitorização frequente de eletrólitos e do status ácido-básico é fundamental para evitar complicações como edema cerebral (mais comum em crianças) e hipocalemia iatrogênica.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença epidemiológica entre CAD e EHH?

A Cetoacidose Diabética (CAD) é muito mais frequente, sendo uma causa comum de internação em pacientes com DM tipo 1 e alguns tipo 2. Já o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH) é responsável por menos de 1% de todas as internações relacionadas ao diabetes, ocorrendo predominantemente em idosos com DM tipo 2, mas carrega uma taxa de mortalidade significativamente superior à da CAD.

Por que não iniciar insulina se o potássio estiver baixo?

A insulina promove o shift intracelular de potássio através da ativação da bomba Na+/K+-ATPase. Se o paciente já apresenta hipocalemia (K < 3.3 mEq/L), o início da insulinoterapia pode precipitar uma queda crítica nos níveis séricos de potássio, levando a arritmias fatais ou paralisia muscular respiratória. O potássio deve ser reposto antes do início da insulina nesses casos.

Quais os critérios para resolução da Cetoacidose Diabética?

A CAD é considerada resolvida quando a glicemia está < 200 mg/dL associada a pelo menos dois dos seguintes critérios: bicarbonato sérico ≥ 15 mEq/L, pH venoso > 7.3 ou anion gap calculado ≤ 12 mEq/L. A cetonemia negativa também é um marcador importante, embora o anion gap seja o substituto clínico mais utilizado.

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