FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015
Paciente idoso, com 68 anos de idade e diabetes mal controlado, apresenta poliúria e desorientação progressiva na última semana. Hoje, foi encontrado por familiares desacordado em seu leito, sendo, então, trazido ao hospital. Avaliação inicial demonstrou elevação da glicemia capilar de 350 mg%, além de desidratação intensa. Qual das afirmativas abaixo se mostra MAIS adequada?
Idoso diabético com desorientação, poliúria, desidratação e hiperglicemia → Suspeitar de Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico.
O quadro clínico de um idoso diabético com poliúria, desidratação intensa, desorientação e hiperglicemia moderada a grave é altamente sugestivo de Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH), uma emergência metabólica que frequentemente é precipitada por infecções.
O Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico (EHH), anteriormente conhecido como coma hiperosmolar não cetótico, é uma emergência metabólica grave que ocorre principalmente em pacientes com diabetes mellitus tipo 2, especialmente idosos. É caracterizado por hiperglicemia extrema, desidratação grave e hiperosmolaridade sérica, com ausência ou mínima cetoacidose. A poliúria e a desorientação progressiva são sintomas clássicos, culminando em rebaixamento do nível de consciência. A fisiopatologia do EHH envolve uma deficiência relativa de insulina, que é suficiente para prevenir a lipólise e a cetogênese (diferente da cetoacidose diabética), mas insuficiente para controlar a hiperglicemia. A hiperglicemia leva a uma diurese osmótica intensa, resultando em perda significativa de água e eletrólitos, desidratação grave e aumento da osmolaridade sérica. Infecções (urinárias, pneumonias), infarto agudo do miocárdio, AVC e uso de certos medicamentos são gatilhos comuns para o EHH. O tratamento do EHH visa corrigir a desidratação com fluidos intravenosos (solução salina isotônica inicialmente), reduzir a glicemia lentamente com insulina e corrigir os distúrbios eletrolíticos. É crucial pesquisar e tratar a causa precipitante, sendo as infecções as mais comuns. A tomografia de crânio pode ser considerada para descartar outras causas de alteração do estado mental, mas o distúrbio metabólico é a principal suspeita nesse cenário. A hidratação isolada não é suficiente, e a negligência da medicação é apenas um fator contribuinte, não a causa primária do quadro agudo.
O EHH é caracterizado por hiperglicemia grave (geralmente > 600 mg/dL, mas pode ser menor em idosos), desidratação intensa, hiperosmolaridade sérica e alterações do estado mental, sem cetoacidose significativa.
Infecções (urinárias, respiratórias, cutâneas) são gatilhos frequentes para o EHH, pois aumentam o estresse metabólico e a resistência à insulina, levando à descompensação glicêmica e desidratação grave.
A principal diferença é a ausência de cetoacidose significativa no EHH, que apresenta hiperglicemia e hiperosmolaridade mais pronunciadas, enquanto a CAD é definida pela presença de cetonemia e acidose metabólica.
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