UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
Paciente de 62 anos, masculino, veio ao ambulatório de cirurgia referindo dor epigástrica e vômitos frequentes há 10 dias e que no último mês emagreceu 15 kg. Nega doenças crônicas pessoais e familiares. Apenas relata ter uma gastrite antiga que o incomodava constantemente. No exame físico, apresentava abdome tenso e doloroso em região epigástrica a ponto de dificultar a realização do exame. Foi submetido á endoscopia digestiva alta, que evidenciou ulceração única em antro, tipo Borrman II; esta foi biopsiada sendo diagnosticado adenocarcinoma gástrico moderadamente diferenciado. O paciente foi submetido à laparoscopia com impressão diagnóstica final de câncer gástrico localizado. Assinale a assertiva que discute CORRETAMENTE sobre o uso da laparoscopia e o procedimento cirúrgico ideal a ser empregado a seguir.
Câncer gástrico distal localizado → Laparoscopia estadiadora + Gastrectomia subtotal + Linfadenectomia D2.
Para adenocarcinoma gástrico localizado em antro, a laparoscopia é essencial para estadiamento preciso. A cirurgia curativa de escolha é a gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2, que oferece o melhor balanço entre ressecção oncológica e preservação da função gástrica.
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia de alta morbidade e mortalidade, e seu manejo cirúrgico é complexo, exigindo um estadiamento preciso. A laparoscopia diagnóstica desempenha um papel fundamental nesse processo, permitindo a identificação de metástases ocultas, como carcinomatose peritoneal ou pequenas lesões hepáticas, que podem contraindicar uma cirurgia curativa e direcionar o paciente para tratamento paliativo ou neoadjuvante. Uma vez confirmado o caráter localizado e ressecável do tumor, a escolha do procedimento cirúrgico depende da localização do tumor. Para tumores localizados no antro ou corpo distal do estômago, a gastrectomia subtotal é a abordagem preferencial, pois permite a ressecção com margens oncológicas adequadas, preservando o fundo gástrico e melhorando a qualidade de vida pós-operatória. A linfadenectomia D2 é o padrão-ouro para o tratamento cirúrgico do câncer gástrico ressecável, pois remove os grupos linfonodais de primeira e segunda estação, oferecendo um melhor controle oncológico e sobrevida em comparação com a linfadenectomia D1. A combinação de estadiamento laparoscópico e gastrectomia subtotal com linfadenectomia D2 representa a abordagem ideal para pacientes com câncer gástrico distal localizado.
A laparoscopia é crucial para o estadiamento preciso do câncer gástrico, permitindo identificar metástases peritoneais ou hepáticas que podem não ser detectadas por exames de imagem pré-operatórios, evitando laparotomias desnecessárias em casos de doença avançada.
A gastrectomia subtotal é indicada para tumores localizados no antro ou corpo distal, permitindo a ressecção oncológica com margens adequadas e preservando parte do estômago. A gastrectomia total é reservada para tumores proximais, difusos ou que acometem grande parte do órgão.
A linfadenectomia D2 envolve a remoção dos linfonodos perigástricos (D1) e dos linfonodos ao longo dos vasos principais da pequena e grande curvatura, artéria gástrica esquerda, artéria hepática comum, artéria esplênica e tronco celíaco, sendo o padrão-ouro para o controle oncológico.
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