UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Uma paciente de 38 anos, que não realizava exame citológico de rotina há 12 anos, foi submetida a exame ginecológico, sendo observado tumor vegetante de 2 cm com infiltração de parede vaginal até 1/3 inferior. O toque retal não evidenciou comprometimento parametrial. Após citologia compatível com ASC-H, realizou biópsia de colo uterino, cujo laudo evidenciou carcinoma moderadamente diferenciado. Considerando esse caso: Classifique, de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (2009), a que estádio corresponde esse achado.
Invasão do 1/3 inferior da vagina sem atingir parede pélvica = FIGO IIIA.
O estadiamento do câncer de colo uterino é clínico. A extensão para o terço inferior da vagina define o estádio IIIA, independentemente do tamanho do tumor primário.
O câncer de colo uterino é uma das neoplasias mais comuns em mulheres, com forte associação ao HPV. O estadiamento clínico rigoroso é crucial para definir a conduta: cirúrgica (estádios precoces) ou radioquimioterapia (estádios localmente avançados). O envolvimento vaginal é um marcador importante de progressão local. O estádio IIIA representa uma doença localmente avançada onde a cirurgia radical geralmente não é a primeira opção, preferindo-se a associação de radioterapia externa, braquiterapia e quimioterapia sensibilizante.
Diferente de muitos outros tumores sólidos, o estadiamento do câncer de colo de útero pela FIGO (especialmente na versão 2009) é predominantemente clínico. Ele se baseia no exame físico (inspeção, toque vaginal e toque retal), colposcopia, biópsia, cistoscopia e retossigmoidoscopia. Embora exames de imagem avançados como RM e PET-CT sejam amplamente utilizados na prática moderna para guiar o tratamento, a classificação oficial para fins de comparação global permanecia clínica para não desfavorecer países com menos recursos.
O estádio IIIA é definido pela extensão do tumor para o terço inferior da vagina, mas sem extensão para a parede pélvica. Se o tumor envolver os dois terços superiores da vagina sem atingir o paramétrio, seria IIA. Se atingisse o paramétrio (sem chegar à parede pélvica), seria IIB. A presença de hidronefrose ou rim não funcionante, ou a extensão até a parede pélvica, elevaria o estadiamento para IIIB.
O toque retal é fundamental para avaliar o comprometimento dos paramétrios (tecidos adjacentes ao colo uterino). No estádio IIB, há invasão parametrial evidente ao toque, mas que não atinge a parede pélvica (espaço livre entre o tumor e a parede). No estádio IIIB, a infiltração atinge a parede pélvica lateral. No caso clínico apresentado, o toque retal foi negativo para comprometimento parametrial, o que, somado à invasão do terço inferior da vagina, confirma o estádio IIIA.
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