Nefropatia Diabética: Estadiamento e Ajuste Terapêutico

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem de 62 anos, diabético e hipertenso há 15 anos, refere edema discreto de extremidades, vespertino, há 2 meses. Medidas pressóricas domiciliares: PAS entre 130 – 160 mmHg e PAD entre 80 – 95 mmHg. Medicação: Enalapril 10 mg/noite, Anlodipina 5 mg de 12/12hs, Hidroclorotiazida 25 mg/dia, Insulina 26 UI/cedo e 12 UI/noite, Metformina 850 mg, 2 cps/ dia. Exame físico: PA 158/88 mmHg, edema 2+/4+ em MMII, bulhas rítmicas, murmúrio vesicular normodistribuído, sem crepitações. Exames laboratoriais: Glicemia de jejum 187 mg/dL; Hemoglobina Glicada 9,2%; Creatinina 1,7 mg/dL (TFGe-CKD-EPI 42 mL/min); Potássio 4,2 mEq/L; Ácido úrico 4,7 mg/dL; Urina 1: proteínas 3+, glicose 2+, sem hematúria ou leucocitúria. Relação proteína/creatinina urinária de 3,2 mg/grama. O estágio da doença renal crônica por nefropatia diabética e o melhor ajuste terapêutico são:

Alternativas

  1. A) IIIb A3; otimizar a dose de insulina, aumentar o enalapril para 20 mg, 12/12hs.
  2. B) IIIa A2; aumentar a metformina para 3 cps ao dia, otimizar a dose de insulina, trocar a hidroclorotiazida por furosemida.
  3. C) IIIb A3; aumentar a metformina para 3 cps ao dia, trocar a hidroclorotiazida por furosemida, suspender o enalapril.
  4. D) IIIa A2; otimizar a dose de insulina, aumentar o enalapril para 20 mg, 12/12 hs.

Pérola Clínica

TFGe 42 mL/min = DRC G3b; Relação proteína/creatinina 3,2 mg/g = A3 (macroalbuminúria). Ajuste terapêutico: otimizar controle glicêmico e da PA.

Resumo-Chave

A classificação da Doença Renal Crônica (DRC) é feita pela Taxa de Filtração Glomerular Estimada (TFGe) e pelo nível de albuminúria. Neste caso, TFGe de 42 mL/min indica estágio G3b e a relação proteína/creatinina de 3,2 mg/g indica albuminúria A3. O manejo envolve otimização do controle glicêmico e da pressão arterial, com ajuste de doses de medicamentos como insulina e IECA, e cautela com Metformina em TFGe < 45 mL/min.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é uma das principais complicações microvasculares do diabetes mellitus e a causa mais comum de doença renal crônica (DRC) em estágio terminal. Caracteriza-se por albuminúria persistente e declínio progressivo da taxa de filtração glomerular (TFGe). Sua prevalência é alta em pacientes diabéticos de longa data, e seu manejo adequado é crucial para prevenir a progressão para diálise e reduzir a morbimortalidade cardiovascular. A fisiopatologia envolve hiperglicemia crônica, hipertensão intraglomerular e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando a danos estruturais nos glomérulos. O diagnóstico é feito pela presença de albuminúria (relação albumina/creatinina urinária) e pela redução da TFGe. A classificação da DRC é baseada nos estágios da TFGe (G1 a G5) e da albuminúria (A1 a A3), sendo o paciente do caso em G3b A3, indicando DRC moderada a grave com macroalbuminúria. O tratamento da nefropatia diabética foca no controle rigoroso da glicemia (com alvos individualizados), da pressão arterial (com IECA ou BRA como primeira linha para proteção renal), e na redução da albuminúria. É fundamental ajustar as doses de medicamentos como a Metformina conforme a TFGe e monitorar eletrólitos, especialmente o potássio, devido ao risco de hipercalemia com IECA/BRA. A educação do paciente sobre dieta e estilo de vida também é um pilar do tratamento.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a Doença Renal Crônica (DRC) pela TFGe e albuminúria?

A DRC é classificada em estágios G1 a G5 com base na Taxa de Filtração Glomerular estimada (TFGe) e em estágios A1 a A3 com base na albuminúria. Por exemplo, G3b corresponde a TFGe entre 30-44 mL/min/1,73m² e A3 a albuminúria > 300 mg/g ou 300 mg/24h.

Qual a importância da relação proteína/creatinina urinária na nefropatia diabética?

A relação proteína/creatinina urinária é um marcador sensível e prático para avaliar a albuminúria, que é um indicador precoce de lesão renal na nefropatia diabética e um preditor de progressão da doença renal e de risco cardiovascular. Valores elevados indicam maior dano renal.

Quais são os principais ajustes terapêuticos para um paciente diabético com DRC estágio G3b A3?

Os principais ajustes incluem otimização rigorosa do controle glicêmico (HbA1c alvo individualizado), controle pressórico rigoroso com IECA/BRA (aumentar dose se tolerado), ajuste da dose de Metformina (ou suspensão se TFGe < 30), e consideração de diuréticos de alça para edema, se necessário. Monitoramento de eletrólitos e função renal é fundamental.

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