Estadiamento da Doença Renal Crônica: Critérios KDIGO

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Quanto ao estadiamento da doença renal crônica e seu tratamento é incorreto afirmar:

Alternativas

  1. A) O risco de progressão da doença renal crônica está estreitamente relacionado a Taxa de Filtração Glomerular (TGF) e a proteinúria.
  2. B) O estágio G 3 se divide-se em G3A com TGF entre 59-45 mL/mim/ 1,7 m² e G3B com TGF entre 44 e 25 mL/mim/1,7m².
  3. C) O transplante renal é o tratamento de escolha para o tratamento de pacientes com DRC estágio 5 (DRC terminal).
  4. D) A mortalidade dos pacientes em hemodiálise está ligada principalmente a doenças cardiovasculares e hipertensão.
  5. E) Mesmo com função renal normal (G1) ou levemente reduzida (G2) pacientes com Albuminuria persistente > 300 mg/g (A3) apresentam alto risco de progressão da doença renal.

Pérola Clínica

DRC G3b = TFG 30-44 mL/min. O limite inferior do estágio 3 é 30, não 25.

Resumo-Chave

O estadiamento da DRC baseia-se na TFG e albuminúria. O estágio G3 é dividido em 3a (45-59) e 3b (30-44). O estágio G4 vai de 15-29.

Contexto Educacional

A Doença Renal Crônica (DRC) é definida por anormalidades na estrutura ou função renal presentes por mais de 3 meses. O estadiamento atual segue a classificação internacional KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes), que cruza a Taxa de Filtração Glomerular (categorias G1 a G5) com o grau de albuminúria (categorias A1 a A3). Essa abordagem bidimensional permite uma avaliação mais precisa do risco de progressão para a diálise e de complicações sistêmicas. Clinicamente, a transição do estágio G3a para o G3b marca um ponto de inflexão onde as complicações metabólicas, como anemia, doença mineral óssea e acidose metabólica, tornam-se mais frequentes. O tratamento visa retardar a progressão através do controle pressórico rigoroso, controle glicêmico e, mais recentemente, o uso de inibidores da SGLT2. No estágio G5, o transplante renal é considerado o padrão-ouro de tratamento por oferecer melhor qualidade de vida e sobrevida em comparação às terapias dialíticas convencionais.

Perguntas Frequentes

Quais são as faixas de TFG no estágio G3 da DRC?

De acordo com as diretrizes KDIGO, o estágio 3 da Doença Renal Crônica (DRC) é subdividido em dois grupos baseados na Taxa de Filtração Glomerular (TFG). O estágio G3a compreende pacientes com uma redução leve a moderada da função renal, com TFG entre 45 e 59 mL/min/1,73m². Já o estágio G3b refere-se a uma redução moderada a grave, com TFG entre 30 e 44 mL/min/1,73m². É crucial notar que o limite inferior do estágio G3b é 30, e não 25. Valores de TFG entre 15 e 29 mL/min/1,73m² classificam o paciente no estágio G4 (redução grave), enquanto valores abaixo de 15 caracterizam o estágio G5 (falência renal).

Por que a albuminúria é importante no prognóstico da DRC?

A albuminúria é um marcador independente de dano renal e um preditor potente de progressão para doença renal terminal e eventos cardiovasculares. Mesmo em pacientes com TFG preservada (estágios G1 e G2), a presença de albuminúria persistente indica lesão estrutural do néfron. A classificação KDIGO utiliza as categorias A1 (normal a levemente aumentada, <30 mg/g), A2 (moderadamente aumentada, 30-300 mg/g) e A3 (gravemente aumentada, >300 mg/g). Pacientes na categoria A3 apresentam um risco significativamente maior de perda acelerada da função renal, independentemente da TFG inicial, exigindo intervenções rigorosas como o uso de bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Qual a principal causa de morte em pacientes com DRC terminal?

A principal causa de mortalidade em pacientes com Doença Renal Crônica, especialmente naqueles em estágio 5 (terminal) sob hemodiálise, é a doença cardiovascular (DCV). Pacientes com DRC apresentam uma prevalência altíssima de fatores de risco tradicionais, como hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, além de fatores não tradicionais específicos da uremia, como calcificação vascular, hipertrofia ventricular esquerda, estresse oxidativo e inflamação crônica. A mortalidade cardiovascular nesses pacientes é muitas vezes superior à mortalidade por causas infecciosas ou complicações diretas da técnica dialítica, tornando o manejo da pressão arterial e do perfil lipídico componentes essenciais do tratamento.

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