PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023
Uma paciente de 50 anos foi submetida à cirurgia pela presença de um tumor pélvico originado no ovário esquerdo. Não foi possível a realização do exame anatomopatológico intraoperatório, pois o criostato do hospital estava em conserto. O cirurgião optou pela realização da salpingooforectomia esquerda. O posterior exame histológico da peça cirúrgica em fixação padrão pela parafina revelou tratar-se de um adenocarcinoma seroso grau 3 do ovário esquerdo, sem alteração na tuba retirada. Qual seria sua próxima orientaçãoà paciente?
Adenocarcinoma seroso de ovário → estadiamento cirúrgico completo é essencial para definir prognóstico e tratamento adjuvante.
O câncer de ovário é estadiado cirurgicamente. A salpingooforectomia unilateral é insuficiente para o estadiamento completo de um adenocarcinoma seroso, especialmente de alto grau. É necessária uma reabordagem cirúrgica para realizar histerectomia, salpingooforectomia contralateral, omentectomia, biópsias peritoneais e linfadenectomia, a fim de determinar a extensão da doença.
O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com maior taxa de mortalidade, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à sua natureza assintomática inicial e à disseminação precoce na cavidade peritoneal. O adenocarcinoma seroso é o tipo histológico mais comum e agressivo. Para residentes, é fundamental compreender que o estadiamento do câncer de ovário é primariamente cirúrgico, e a extensão da cirurgia é determinante para o prognóstico e a escolha do tratamento adjuvante. No caso de um diagnóstico de adenocarcinoma seroso de ovário, mesmo que unilateral e sem alteração na tuba, a salpingooforectomia isolada é considerada um procedimento incompleto para estadiamento. O câncer de ovário tem um padrão de disseminação característico, envolvendo o peritônio, omento e linfonodos pélvicos e para-aórticos. Portanto, a paciente necessita de uma reabordagem cirúrgica para um estadiamento completo, que inclui histerectomia total, salpingooforectomia contralateral, omentectomia, biópsias peritoneais múltiplas (incluindo do diafragma) e linfadenectomia pélvica e para-aórtica. O objetivo dessa segunda cirurgia é não apenas estadiar a doença com precisão, mas também realizar a citorredução máxima, ou seja, remover o máximo de tecido tumoral visível. A extensão da doença (estágio) e a quantidade de doença residual após a citorredução são os fatores prognósticos mais importantes. Após o estadiamento cirúrgico, a maioria das pacientes com câncer de ovário, especialmente com tumores de alto grau (grau 3), necessitará de quimioterapia adjuvante, independentemente do estágio, para tratar a doença microscópica residual e reduzir o risco de recorrência.
O estadiamento cirúrgico é o fator mais importante para determinar o prognóstico e guiar o tratamento adjuvante (quimioterapia, radioterapia) no câncer de ovário. Ele permite avaliar a extensão da doença dentro da cavidade abdominal e pélvica, identificando metástases que não seriam detectadas por exames de imagem.
O estadiamento cirúrgico completo inclui histerectomia total, salpingooforectomia bilateral, omentectomia, biópsias peritoneais múltiplas (incluindo diafragma), lavados peritoneais para citologia e linfadenectomia pélvica e para-aórtica. O objetivo é remover o máximo de doença possível (citorredução) e avaliar a disseminação.
O grau histológico (grau 3) indica um tumor de alto grau, ou seja, com células mais indiferenciadas e comportamento mais agressivo. Isso sugere um maior potencial de disseminação e recorrência, reforçando a necessidade de um estadiamento cirúrgico completo e, geralmente, de terapia adjuvante sistêmica.
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