UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Mulher de 60 anos com hematúria macroscópica é submetida à cistoscopia, com biópsia incisional de lesão vegetante vesical. Laudo anatomopatológico: carcinoma urotelial papilífero de alto grau. Esse laudo está incompleto e insuficiente, pois
Carcinoma urotelial: laudo AP deve especificar infiltração de submucosa/muscular para estadiamento e conduta.
O estadiamento do carcinoma urotelial de bexiga é crucial para definir a conduta terapêutica e o prognóstico. A profundidade da invasão tumoral, especialmente se há infiltração da camada muscular própria (T2), é o fator prognóstico mais importante e determina a necessidade de cistectomia radical.
O carcinoma urotelial de bexiga é uma neoplasia comum do trato urinário, sendo a hematúria macroscópica o sintoma mais frequente. A cistoscopia com biópsia é o método diagnóstico padrão, e o laudo anatomopatológico é fundamental para o estadiamento e planejamento terapêutico. A correta avaliação da profundidade de invasão é o ponto mais crítico para a decisão clínica. A classificação TNM para câncer de bexiga depende crucialmente da profundidade de invasão. Tumores que invadem apenas a lâmina própria (T1) ou são restritos à mucosa (Ta) são considerados não músculo-invasivos. Já a invasão da camada muscular própria (T2) ou além (T3, T4) caracteriza o carcinoma urotelial músculo-invasivo, que possui um prognóstico significativamente pior e requer abordagens terapêuticas mais agressivas, como a cistectomia radical. Portanto, um laudo anatomopatológico completo deve obrigatoriamente especificar se há ou não invasão da submucosa e, principalmente, da camada muscular. A ausência dessa informação torna o laudo insuficiente para guiar a conduta, podendo levar a subestadiamento e tratamento inadequado, um erro grave na prática clínica e para residentes em formação.
A infiltração da camada muscular própria (T2) é o principal fator prognóstico e determina a necessidade de cistectomia radical, pois tumores músculo-invasivos têm alto risco de metástase e pior prognóstico.
Além do tipo histológico e grau, o laudo deve detalhar a presença e profundidade de invasão (lâmina própria, submucosa, muscular própria), a presença de carcinoma in situ associado e a avaliação das margens.
Tumores não músculo-invasivos (Ta, T1, CIS) não atingem a camada muscular própria e são tratados principalmente com ressecção transuretral e terapia intravesical. Tumores músculo-invasivos (T2-T4) exigem tratamento mais agressivo, como cistectomia radical.
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