Estadiamento Câncer de Pulmão: EBUS para Linfonodos

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 73 anos, tabagista 55 anos/maço, procura pneumologista com queixa de tosse e hemoptoicos há 4 semanas. Tomografia de tórax mostra lesão espiculada periférica de 4,0 cm no lobo superior direito. PET-TC (tomografia por emissão de pósitrons) apresenta lesão pulmonar com captação aumentada (SUV = 7) e em linfonodos mediastinais (SUV = 6) e hilares à direita (SUV = 4). A avaliação funcional pulmonar mostrou espirometria com VEF1 = 2,3L compatível com ressecção até bilobectomia.Qual o próximo passo mais adequado no manejo deste paciente?

Alternativas

  1. A) Pneumonectomia direita e broncoplastia (margem de segurança).
  2. B) Preparo para cirurgia com intenção curativa com programação de segmentectomia apical direita e esvaziamento mediastinal.
  3. C) Realizar amostragem dos linfonodos mediastinais e hilares por EBUS (endobronchial ultrasound- Ultrassonografia endobrônquica).
  4. D) Encaminhar para avaliação oncológica clínica para protocolo de neoadjuvância.

Pérola Clínica

PET-CT com captação em linfonodos mediastinais → EBUS para biópsia e confirmação histopatológica do estadiamento N.

Resumo-Chave

Em um paciente com suspeita de CPNPC e PET-CT mostrando captação aumentada em linfonodos mediastinais e hilares, a próxima etapa mais adequada é a realização de EBUS (ultrassonografia endobrônquica) com biópsia. Isso é crucial para obter a confirmação histopatológica do envolvimento linfonodal (estadiamento N) antes de definir a estratégia terapêutica, que pode incluir cirurgia, neoadjuvância ou tratamento definitivo.

Contexto Educacional

O câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) é a principal causa de morte por câncer globalmente. O estadiamento preciso é fundamental para determinar o prognóstico e guiar o tratamento. A avaliação dos linfonodos mediastinais (estadiamento N) é um dos pilares desse processo, pois a presença de metástases linfonodais impacta diretamente a decisão terapêutica, podendo diferenciar pacientes elegíveis para cirurgia primária daqueles que necessitam de terapia neoadjuvante ou tratamento definitivo não cirúrgico. A tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT) é uma ferramenta valiosa para identificar linfonodos suspeitos com captação aumentada de FDG. No entanto, a captação no PET-CT não é patognomônica de malignidade, podendo ocorrer em processos inflamatórios ou infecciosos. Portanto, a confirmação histopatológica do envolvimento linfonodal é imperativa. A ultrassonografia endobrônquica (EBUS) com aspiração por agulha fina (FNA) é o método de escolha para biópsia dos linfonodos mediastinais e hilares, por ser minimamente invasivo, seguro e com alta acurácia diagnóstica. Após a confirmação histopatológica do estadiamento N, a equipe multidisciplinar define a melhor estratégia. Se houver envolvimento N2 ou N3, a neoadjuvância (quimioterapia e/ou radioterapia) é frequentemente indicada antes de uma possível cirurgia, com o objetivo de downstage o tumor e melhorar os resultados oncológicos. A avaliação funcional pulmonar, como a espirometria, é crucial para determinar a ressecabilidade e a tolerância do paciente ao procedimento cirúrgico proposto.

Perguntas Frequentes

Por que a biópsia dos linfonodos mediastinais é crucial no estadiamento do câncer de pulmão?

A biópsia é crucial para confirmar histopatologicamente o envolvimento dos linfonodos (estadiamento N), pois a presença de metástases linfonodais mediastinais (N2 ou N3) altera significativamente o prognóstico e a estratégia terapêutica, podendo indicar neoadjuvância ou contraindicar a cirurgia primária.

Quais são as vantagens do EBUS em relação a outros métodos de biópsia mediastinal?

O EBUS é um método minimamente invasivo que permite a visualização direta dos linfonodos e a coleta de amostras por agulha fina (FNA) em tempo real, com alta sensibilidade e especificidade, e menor risco de complicações em comparação com a mediastinoscopia cirúrgica.

Quando a neoadjuvância é considerada no tratamento do CPNPC?

A neoadjuvância (quimioterapia e/ou radioterapia antes da cirurgia) é considerada em pacientes com CPNPC localmente avançado, especialmente aqueles com envolvimento de linfonodos mediastinais (N2), com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor, esterilizar os linfonodos e aumentar as chances de ressecção completa.

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