UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Uma paciente de 38 anos, que não realizava exame citológico de rotina há 12 anos, foi submetida a exame ginecológico, sendo observado tumor vegetante de 2cm com infiltração de parede vaginal até 1/3 inferior. O toque retal não evidenciou comprometimento parametrial. Após citologia compatível com ASC-H, realizou biópsia de colo uterino, cujo laudo evidenciou carcinoma moderadamente diferenciado. Considerando esse caso, indique como é feito o estadiamento do câncer de colo uterino.
Estadiamento do câncer de colo uterino é CLÍNICO (FIGO) + exames de imagem/patologia se disponíveis.
O estadiamento baseia-se no exame físico (toque vaginal/retal) e biópsia. A invasão do terço inferior da vagina classifica a lesão como estádio IIIA.
O câncer de colo uterino é uma das neoplasias mais comuns em mulheres, fortemente associado à infecção persistente pelo HPV. O estadiamento clínico é vital para definir a conduta terapêutica, variando de cirurgia radical em estádios precoces a quimiorradioterapia concomitante em casos localmente avançados. A atualização FIGO 2018 trouxe flexibilidade ao permitir que achados de imagem e patologia modifiquem o estádio, mas a base semiológica (exame especular, toque vaginal e retal) continua sendo o pilar para residentes e especialistas, garantindo a aplicabilidade do sistema em diferentes contextos de saúde.
O estadiamento do câncer de colo uterino é fundamentalmente clínico, baseado nas recomendações da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). Ele envolve o exame físico minucioso, incluindo toque vaginal e retal para avaliar a extensão tumoral para os paramétrios e paredes vaginais, além da biópsia cervical. Embora a revisão de 2018 da FIGO permita a incorporação de exames de imagem (como RNM e PET-CT) e achados patológicos para refinar o estádio, a avaliação clínica inicial permanece mandatória, especialmente em locais com recursos limitados.
De acordo com o sistema FIGO, quando o carcinoma de colo uterino se estende para além do útero e atinge o terço inferior da vagina, sem extensão para a parede pélvica, a paciente é classificada no Estádio IIIA. É crucial diferenciar da invasão dos dois terços superiores (Estádio IIA). Essa distinção é feita preferencialmente pelo exame físico ginecológico, que deve identificar a continuidade da lesão e o limite inferior do comprometimento vaginal.
Sim, o toque retal é uma parte essencial do exame físico para o estadiamento do câncer de colo uterino. Ele é o melhor método clínico para avaliar o comprometimento dos paramétrios (tecidos adjacentes ao útero). Se houver invasão parametrial que não chega à parede pélvica, o estádio é IIB. Se a invasão atingir a parede pélvica ou causar hidronefrose/rim não funcionante, classifica-se como IIIB. A ausência de comprometimento parametrial no toque retal, como no caso clínico, exclui o estádio IIB.
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