UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Mulher de 35 anos, que apresentou citologia alterada com colo de aspecto macroscópico normal, realizou colposcopia e biópsia de colo uterino cujo resultado foi de carcinoma escamoso invasivo moderadamente diferenciado. A conduta após esse laudo é:
Diagnóstico de carcinoma invasor de colo uterino → Próximo passo é SEMPRE o estadiamento.
Uma vez confirmado o carcinoma invasor por biópsia, o estadiamento (clínico e por imagem) é obrigatório para definir se a conduta será cirúrgica ou quimiorradioterapia.
O câncer de colo uterino é uma das neoplasias mais comuns em mulheres e o diagnóstico histopatológico de carcinoma invasor é apenas o início da jornada terapêutica. O carcinoma escamoso (ou epidermoide) responde por cerca de 80% dos casos. O estadiamento rigoroso é o que define o prognóstico e a estratégia de tratamento. O médico deve realizar um exame pélvico minucioso para avaliar o tamanho do tumor, o envolvimento vaginal e, crucialmente, o toque retal para avaliar os paramétrios. Com a atualização da FIGO 2018, a incorporação de exames de imagem de alta resolução (como a Ressonância Magnética de Pelve) tornou-se fundamental para detectar micrometástases linfonodais, o que pode alterar o estadiamento de IB para IIIC, mudando radicalmente a conduta de cirurgia para tratamento sistêmico/radioterápico.
O estadiamento do câncer de colo uterino é baseado na classificação da FIGO. Tradicionalmente era puramente clínico (exame físico, toque retal, vaginal, cistoscopia e proctoscopia), mas a atualização de 2018 permite e incentiva o uso de métodos de imagem (RM, TC ou PET-CT) e achados patológicos para refinar o estadiamento, especialmente para avaliar linfonodos e extensão parametrial.
A classificação FIGO determina se a doença é passível de tratamento cirúrgico primário ou se deve ser encaminhada para quimiorradioterapia. Doenças restritas ao colo (estádios iniciais como IA e IB) geralmente são cirúrgicas. A partir do estádio IIB (invasão parametrial), o tratamento padrão ouro passa a ser a combinação de radioterapia e quimioterapia baseada em platina.
A cirurgia radical (Histerectomia Radical com Linfadenectomia) é geralmente contraindicada quando há invasão dos paramétrios (estádio IIB ou superior), invasão da vagina inferior (IIIA), extensão à parede pélvica ou hidronefrose (IIIB), ou metástases à distância. Nesses casos, a morbidade cirúrgica não justifica o benefício, sendo a radio-quimioterapia mais eficaz.
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