CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 52 anos, com história de dispepsia crônica há vários anos que evoluiu com discreta piora há 3 meses associada a intolerância a alimentos sólidos, plenitude pós prandial e vômitos. Refere ter perdido cerca de 14kg no período e que após 1 episódio de hematêmese, procurou atendimento médico. Ao exame físico, o paciente se encontra hipocorado ++/4, eupneico, afebril, anictérico e hemodinamicamente estável. Abdome plano, flácido, simétrico e indolor à palpação, sem massas palpáveis ou ascite. Ausência de linfonodos palpáveis em região cervical e axilar. Traz consigo endoscopia que evidencia lesão úlcero-infiltrativa em região do antro gástrico, parcialmente obstruindo o piloro. O exame histopatológico revelou tratar-se de adenocarcinoma do tipo intestinal de Lauren. Sobre o estadiamento deste paciente, assinale a alternativa INCORRETA:
Classificação de Borrmann é macroscópica (aparência) e não define o estadiamento TNM do câncer gástrico, que exige avaliação multimodal.
O estadiamento do câncer gástrico combina achados de múltiplos exames: endoscopia, ultrassonografia endoscópica (para estadiamento T e N), tomografia (para estadiamento M) e laparoscopia. A classificação de Borrmann descreve a morfologia do tumor, mas não pode, isoladamente, determinar o estadiamento TNM.
O adenocarcinoma gástrico é uma neoplasia agressiva cujo prognóstico e tratamento dependem diretamente de um estadiamento acurado. O sistema TNM (Tumor, Nodo, Metástase) é o padrão ouro, e sua determinação envolve uma abordagem multimodal, pois nenhum exame isolado é suficiente. A avaliação começa com a endoscopia digestiva alta com biópsias. A ultrassonografia endoscópica (EUS) é o passo seguinte e crucial para o estadiamento locorregional, sendo o melhor método para avaliar a profundidade da invasão tumoral na parede gástrica (T) e a presença de linfonodos suspeitos adjacentes (N). A tomografia computadorizada (TC) de tórax, abdome e pelve é essencial para pesquisar metástases a distância (M), principalmente hepáticas e pulmonares, embora tenha baixa sensibilidade para linfonodos acometidos e implantes peritoneais pequenos. Para tumores localmente avançados (≥ T2) sem metástases evidentes na TC, a laparoscopia estadiadora com lavado peritoneal para citologia é frequentemente indicada. Este procedimento pode identificar metástases peritoneais ocultas em até 30% dos casos, mudando a intenção do tratamento de curativo para paliativo e evitando cirurgias desnecessárias. A classificação de Borrmann, puramente macroscópica, sugere o comportamento do tumor mas não substitui este detalhado processo de estadiamento.
A ultrassonografia endoscópica (EUS) é o método mais acurado para o estadiamento locorregional, avaliando a profundidade da invasão tumoral na parede gástrica (estadiamento T) e o acometimento de linfonodos perigástricos (estadiamento N).
É indicada em tumores localmente avançados (geralmente ≥T2) para detectar metástases peritoneais ou hepáticas pequenas não visíveis na tomografia, evitando uma laparotomia não curativa. A citologia do lavado peritoneal também é realizada.
A tomografia computadorizada de tórax, abdome e pelve é fundamental para o estadiamento a distância (M), avaliando metástases em órgãos como fígado, pulmões e linfonodos não regionais. Sua acurácia para o estadiamento T e N e para micrometástases peritoneais é limitada.
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