Intubação com Colar Cervical: Técnica e Estabilização

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Assinale a opção correta, acerca de como deve ser realizada a intubação orotraqueal em um paciente com colar cervical.

Alternativas

  1. A) Idealmente com dois profissionais, sendo um para remover parcialmente o colar cervical, apenas a parte anterior e mantendo a estabilização manual da cabeça e outro para a intubação.
  2. B) Idealmente com dois profissionais, sendo um para remover o colar cervical e ajudar na preparação do laringoscópio e do tubo orotraqueal e outro para a intubação.
  3. C) Idealmente com dois profissionais, sendo um para remover parcial do colar cervical, apenas a parte anterior, e para realizar a manobra de Sellick e outro para a intubação.
  4. D) Não há necessidade de dois profissionais, desde que mantenha o colar cervical.
  5. E) Não há necessidade de dois profissionais, desde que retire o colar cervical e mantenha a cabeça estabilizada.

Pérola Clínica

Intubação no trauma → Abrir parte anterior do colar + MILS por segundo operador.

Resumo-Chave

A manutenção da estabilização manual em linha (MILS) por um assistente enquanto a parte anterior do colar é aberta permite a visualização da laringe sem comprometer a estabilidade da coluna cervical.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea no paciente politraumatizado exige um equilíbrio entre a necessidade de oxigenação e a proteção da medula espinhal. A presença do colar cervical rígido, embora essencial para o transporte, é um obstáculo físico para a laringoscopia direta. A técnica recomendada envolve a presença de pelo menos dois profissionais: um laringoscopista e um assistente para realizar a estabilização manual. A abertura da parte anterior do colar permite a excursão mandibular necessária para o posicionamento do laringoscópio. Estudos mostram que a estabilização manual em linha (MILS) é superior à manutenção isolada do colar cervical durante a intubação, pois reduz o movimento intervertebral e melhora a classe de Cormack-Lehane. É fundamental que o assistente que realiza a MILS não aplique tração, mas sim uma força de oposição estável aos movimentos gerados pelo laringoscopista.

Perguntas Frequentes

Por que remover a parte anterior do colar cervical?

A parte anterior do colar cervical deve ser aberta ou removida temporariamente para permitir a abertura adequada da mandíbula e a inserção do laringoscópio. Manter o colar totalmente fechado dificulta significativamente a visualização das cordas vocais, aumentando o risco de falha na intubação e trauma adicional. Durante esse processo, a estabilidade é garantida pela técnica MILS.

O que é a técnica MILS?

A Manual In-Line Stabilization (MILS) consiste em um assistente segurando firmemente os processos mastoides e o occipital do paciente, neutralizando movimentos de extensão, flexão ou rotação da cabeça durante a laringoscopia. É o padrão-ouro para proteger a medula espinhal enquanto a via aérea é manipulada.

A manobra de Sellick é obrigatória?

Embora mencionada em protocolos antigos, a manobra de Sellick (pressão cricoide) não é mais recomendada rotineiramente, pois pode dificultar a visualização da glote e não há evidências robustas de que previna aspiração de forma eficaz, especialmente em pacientes com via aérea difícil ou trauma.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo