UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Homem, 20 anos de idade, é levado ao PS por episódio de agressividade há 1 dia. A mãe refere que ele passou a ficar mais calado e isolado, há 8 meses. Ele abandonou o emprego, pois se sentia desconfortável com os colegas, alegando que comentavam sobre ele e queriam lhe prejudicar frente ao chefe. Passou a escutar vozes, que o xingavam em alguns momentos, falava coisas sem sentido e tinha crises de choro. Chegou a relatar a sua mãe que pensava em se jogar na frente do trem para acabar com seu sofrimento. Vem progressivamente piorando. Faz uso regular de maconha há 1 ano, sendo o último consumo há 2 meses. Qual é o diagnóstico mais provável?
Psicose > 6 meses com delírios, alucinações e desorganização, sem uso recente de drogas = Esquizofrenia.
O caso descreve um quadro psicótico com duração superior a 6 meses, incluindo delírios (persecutórios), alucinações (auditivas), fala desorganizada e prejuízo funcional, preenchendo os critérios para esquizofrenia. O uso prévio de maconha é um fator de risco, mas o último consumo há 2 meses e a persistência dos sintomas afastam o diagnóstico de transtorno psicótico induzido por drogas.
A esquizofrenia é um transtorno mental crônico e grave, caracterizado por uma ampla gama de sintomas psicóticos, cognitivos e negativos que afetam profundamente o pensamento, a percepção, as emoções e o comportamento. É uma condição complexa com etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico de esquizofrenia é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. O paciente do caso apresenta delírios persecutórios, alucinações auditivas, fala desorganizada, isolamento social (sintoma negativo) e ideação suicida, com duração de 8 meses e prejuízo funcional. A esquizofrenia paranoide, embora não seja mais um subtipo oficial no DSM-5, descreve um quadro com predominância de delírios e alucinações. O tratamento da esquizofrenia envolve principalmente antipsicóticos, que visam controlar os sintomas psicóticos. Além da farmacoterapia, intervenções psicossociais como terapia cognitivo-comportamental, reabilitação psicossocial e suporte familiar são essenciais para promover a recuperação, prevenir recaídas e melhorar o funcionamento social e ocupacional do indivíduo. A monitorização contínua e o manejo de comorbidades são fundamentais.
Os critérios incluem a presença de dois ou mais sintomas psicóticos (delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado ou catatônico, sintomas negativos) por pelo menos um mês, com disfunção social/ocupacional e duração total de pelo menos seis meses.
No transtorno induzido por substância, os sintomas psicóticos surgem durante ou logo após a intoxicação ou abstinência e geralmente remitem em até um mês após a interrupção. Na esquizofrenia, os sintomas persistem por mais tempo e não são explicados apenas pelo uso da substância.
Sintomas negativos incluem embotamento afetivo, alogia (pobreza de fala), avolição (diminuição da motivação), anedonia e associalidade. Eles são importantes porque frequentemente causam maior prejuízo funcional e são mais difíceis de tratar.
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