HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022
Um homem de 47 anos foi trazido ao Pronto Socorro pelos familiares. Ele conta sofrer "ameaças veladas" de sua irmã por meio de mensagens cifradas que ela digita no microondas, o que o entristece muito. Nos últimos meses, ele se manteve restrito ao seu quarto e diminuiu a ingesta alimentar. Afirma ser muito "cismado" e que algumas pessoas o acusam de ter causado o acidente de avião com o time da Chapecoense. Antecedente de internação psiquiátrica aos 25 anos e tratamento psiquiátrico irregular desde então. Refere primeiro uso de cannabis aos 24 anos, abstinente há 6 meses, nega consumo de outras substâncias. Ao exame do estado mental, autocuidado prejudicado, pensamento organizado, delírios persecutórios, hipobulia, humor apático e embotamento afetivo. Qual a hipótese diagnóstica ?
Esquizofrenia = delírios + sintomas negativos (hipobulia, embotamento) + disfunção social/ocupacional por > 6 meses.
O quadro clínico com delírios persecutórios, sintomas negativos (hipobulia, embotamento afetivo, isolamento social) e prejuízo funcional por um período prolongado, além do histórico de internação psiquiátrica, aponta para esquizofrenia. O uso prévio de cannabis pode ser um fator de risco, mas o quadro atual não se encaixa em transtorno induzido por substância devido à abstinência e cronicidade.
A esquizofrenia é um transtorno mental crônico e grave que afeta cerca de 1% da população mundial, com início geralmente na adolescência tardia ou início da idade adulta. Caracteriza-se por uma ampla gama de sintomas que afetam o pensamento, a percepção, as emoções, a linguagem e o comportamento, levando a um significativo prejuízo funcional e social. É uma das principais causas de incapacidade em jovens adultos. O diagnóstico da esquizofrenia baseia-se em critérios clínicos, como a presença de delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico e sintomas negativos (embotamento afetivo, avolia, alogia) por um período mínimo de seis meses, incluindo pelo menos um mês de sintomas ativos. A exclusão de outras condições médicas ou transtornos mentais, como transtorno bipolar ou transtorno psicótico induzido por substância, é crucial para um diagnóstico preciso. O tratamento da esquizofrenia é complexo e multifacetado, envolvendo principalmente o uso de antipsicóticos, que ajudam a controlar os sintomas positivos, e intervenções psicossociais, como terapia cognitivo-comportamental, reabilitação social e suporte familiar. O prognóstico varia, mas o tratamento contínuo e a adesão são fundamentais para melhorar a qualidade de vida e reduzir as recaídas.
A esquizofrenia é caracterizada por sintomas positivos (delírios, alucinações), sintomas negativos (embotamento afetivo, anedonia, hipobulia) e desorganização do pensamento e comportamento, levando a prejuízo funcional.
O transtorno psicótico induzido por substância geralmente tem início e remissão mais abruptos, diretamente relacionados ao uso da substância. A esquizofrenia é crônica, com sintomas persistentes por mais de 6 meses e frequentemente com sintomas negativos proeminentes.
Um histórico de internação psiquiátrica prévia e tratamento irregular sugere um curso crônico da doença, reforçando o diagnóstico de esquizofrenia em vez de um episódio isolado ou induzido por substância.
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