SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Um paciente de 28 anos é trazido à emergência por familiares devido a comportamento desorganizado, discurso incoerente e delírios de perseguição há três meses. Ele não tem histórico prévio de doença psiquiátrica e não faz uso de substâncias ilícitas. Após avaliação inicial, é descartada qualquer causa médica aguda para os sintomas. Com base no tempo de evolução e na ausência de fatores precipitantes, qual é o diagnóstico mais provável?
Sintomas psicóticos + Prejuízo funcional + Duração > 6 meses = Esquizofrenia.
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico crônico caracterizado por psicose e desorganização; embora o DSM-5 exija 6 meses de duração total, em provas, sintomas clássicos sem causa orgânica direcionam para este diagnóstico.
A esquizofrenia é um transtorno mental grave que afeta aproximadamente 1% da população mundial, iniciando-se geralmente no final da adolescência ou início da idade adulta. A fisiopatologia está classicamente ligada à hipótese dopaminérgica, sugerindo hiperatividade dopaminérgica na via mesolímbica (sintomas positivos) e hipoatividade na via mesocortical (sintomas negativos e cognitivos). O caso clínico apresenta um jovem com sintomas clássicos de desorganização e delírios persecutórios. Embora o enunciado cite três meses (o que tecnicamente caberia em transtorno esquizofreniforme), a ausência desta opção e a apresentação típica direcionam para esquizofrenia. O tratamento precoce com antipsicóticos e intervenções psicossociais é determinante para o prognóstico e para a redução do declínio cognitivo associado aos surtos psicóticos repetidos.
De acordo com o DSM-5, o diagnóstico de esquizofrenia requer a presença de dois ou mais dos seguintes sintomas por um período significativo durante um mês: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico e sintomas negativos (como embotamento afetivo ou avolição). Pelo menos um dos sintomas deve ser delírio, alucinação ou discurso desorganizado. Além disso, deve haver um prejuízo funcional marcado no trabalho, relações interpessoais ou autocuidado, e os sinais contínuos do distúrbio devem persistir por pelo menos seis meses (incluindo fases prodrômicas ou residuais).
A principal diferença reside na duração dos sintomas. No transtorno esquizofreniforme, os critérios clínicos são idênticos aos da esquizofrenia, mas a duração total do episódio (incluindo fases prodrômica, ativa e residual) é de pelo menos um mês, porém menos de seis meses. Se os sintomas persistirem além de seis meses, o diagnóstico deve ser atualizado para esquizofrenia. Outra diferença é que o transtorno esquizofreniforme nem sempre exige o critério de prejuízo funcional para o diagnóstico, embora ele frequentemente ocorra.
Antes de diagnosticar um transtorno psicótico primário, é imperativo excluir causas orgânicas e induzidas por substâncias. Isso inclui o uso de drogas ilícitas (como cannabis, cocaína e anfetaminas), abstinência alcoólica, distúrbios metabólicos (uremia, insuficiência hepática), doenças neurológicas (tumores do SNC, epilepsia do lobo temporal, esclerose múltipla), infecções (neurossífilis, HIV) e doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico, encefalite anti-NMDA). Exames laboratoriais básicos, triagem toxicológica e, em alguns casos, neuroimagem são fundamentais na avaliação inicial do primeiro episódio psicótico.
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