TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Homem de 29 anos é levado ao pronto-socorro por familiares devido a comportamento desorganizado, falas desconexas e isolamento social progressivo nos últimos 4 meses. Refere que vizinhos o perseguem por meio de mensagens codificadas nas redes sociais. Não faz uso de substâncias ilícitas. Ao exame, apresenta discurso desorganizado, risos imotivados e neologismos. Qual é o diagnóstico mais provável?
Psicose + Desorganização + Prejuízo funcional > 6 meses (ou evolução para tal) = Esquizofrenia.
O diagnóstico de esquizofrenia baseia-se na presença de sintomas psicóticos (delírios, alucinações), desorganização do comportamento/discurso e sintomas negativos, com impacto funcional significativo por um período prolongado.
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico crônico e grave que afeta aproximadamente 1% da população mundial. Sua fisiopatologia está classicamente ligada à hipótese dopaminérgica, sugerindo hiperatividade dopaminérgica na via mesolímbica (sintomas positivos) e hipoatividade na via mesocortical (sintomas negativos e cognitivos). O quadro clínico apresentado, com isolamento social progressivo, delírios persecutórios e desorganização clara (neologismos e risos imotivados), é altamente sugestivo. Embora o enunciado mencione 4 meses, em provas de residência, na ausência da opção 'Transtorno Esquizofreniforme', a esquizofrenia é a resposta esperada para este fenótipo clássico. O tratamento envolve o uso de antipsicóticos, preferencialmente de segunda geração (como risperidona ou olanzapina), visando o controle dos sintomas e a reabilitação psicossocial. É fundamental excluir causas orgânicas, como uso de substâncias ou doenças neurológicas, antes de fechar o diagnóstico.
Para o diagnóstico de esquizofrenia de acordo com o DSM-5, o paciente deve apresentar sinais contínuos da perturbação por pelo menos seis meses. Esse período de seis meses deve incluir pelo menos um mês de sintomas da fase ativa, que são caracterizados por dois ou mais dos seguintes: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico, e sintomas negativos (como embotamento afetivo ou avolição). Pelo menos um dos sintomas deve ser delírio, alucinação ou discurso desorganizado. Se a duração for superior a um mês, mas inferior a seis meses, o diagnóstico correto seria transtorno esquizofreniforme, que muitas vezes funciona como um diagnóstico provisório antes da evolução para a esquizofrenia propriamente dita.
A principal diferença reside na natureza do delírio e na presença de outros sintomas psicóticos. No transtorno delirante persistente, o paciente apresenta um ou mais delírios (geralmente não bizarros, como ser perseguido ou traído) por um período de um mês ou mais, mas o funcionamento psicossocial não é marcadamente prejudicado e o comportamento não é bizarramente desorganizado. Diferente da esquizofrenia, no transtorno delirante não há alucinações proeminentes, desorganização do pensamento (como neologismos ou salada de palavras) ou sintomas negativos significativos. Na esquizofrenia, a desorganização e o prejuízo global no funcionamento são características centrais que acompanham os delírios, muitas vezes bizarros e fragmentados.
A desorganização do pensamento é uma manifestação central da esquizofrenia e é avaliada através do discurso do paciente. Ela pode variar de descarrilamento (perda do fio da meada), tangencialidade (respostas que não focam na pergunta) até a desorganização grave, conhecida como 'salada de palavras' ou incoerência. O uso de neologismos, que são palavras criadas pelo paciente com significados próprios e incompreensíveis para os outros, é um sinal clássico de transtorno do pensamento formal. Além disso, podem ocorrer risos imotivados ou respostas emocionais incongruentes com o contexto, refletindo a desorganização do afeto que frequentemente acompanha o quadro clínico do paciente esquizofrênico.
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