SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Vinicius, 23 anos vem a consulta acompanhado de seu pai Marcos, que relata que o filho esteve internado em instituição psiquiátrica por 30 dias e teve alta há 1 semana. Há 8 meses os pais perceberam que Vinicius passou a ficar muito tempo sozinho em seu quarto, não queria se alimentar direito, tão pouco tomar banho ou trocar de roupa. Rompeu relacionamento com sua namorada e disse aos pais que ela o ameaçava de morte e, estava de conluio com seu vizinho para sequestrá-lo. Há aproximadamente 40 dias disse ter escutado comandos claros para que se matasse, quando então pulou da janela do 2º andar do seu prédio, fraturando a tíbia direita. Após descartado outros possíveis traumatismos, foi transferido para unidade psiquiátrica, onde permaneceu por 30 dias. A conduta mais adequada frente ao caso acima é:
Má adesão ao tratamento na esquizofrenia → considerar antipsicótico de depósito para prevenir recaídas.
A esquizofrenia é uma doença crônica que exige tratamento contínuo. A má adesão medicamentosa é uma das principais causas de recaídas. Nesses casos, antipsicóticos de depósito são uma estratégia eficaz para melhorar a adesão e estabilizar o quadro clínico, especialmente após um episódio agudo e tentativa de suicídio.
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico crônico e grave, caracterizado por delírios, alucinações, pensamento desorganizado e sintomas negativos. A doença afeta cerca de 1% da população mundial e é uma das principais causas de incapacidade. O tratamento é complexo e contínuo, visando à remissão dos sintomas e à melhora da funcionalidade do paciente. O caso de Vinicius ilustra um quadro típico de esquizofrenia com sintomas psicóticos positivos (delírios, alucinações de comando) e negativos (isolamento, negligência da higiene), culminando em uma tentativa de suicídio. A alta hospitalar recente e a história de má adesão (implícita pela gravidade e cronicidade do quadro) tornam a prevenção de recaídas uma prioridade. A fisiopatologia envolve desregulação de neurotransmissores, principalmente dopamina, e alterações estruturais cerebrais. Antipsicóticos são a base do tratamento. A má adesão é um problema significativo, levando a altas taxas de recaída e pior prognóstico. Antipsicóticos de depósito (injetáveis de longa ação) são uma estratégia eficaz para garantir a adesão, especialmente em pacientes com histórico de interrupção do tratamento. Eles mantêm níveis terapêuticos do medicamento por semanas ou meses, reduzindo a necessidade de tomadas diárias e minimizando o risco de recaídas. A orientação familiar sobre a cronicidade da doença e a importância da adesão é fundamental.
Os desafios incluem falta de insight sobre a doença, efeitos colaterais dos medicamentos, estigma social, esquecimento e complexidade do regime medicamentoso, levando a interrupções e recaídas.
Antipsicóticos de depósito são indicados para pacientes com histórico de má adesão, frequentes recaídas, preferência do paciente ou cuidadores, e para simplificar o regime terapêutico, garantindo níveis séricos estáveis.
Os benefícios incluem maior adesão ao tratamento, redução das taxas de recaída e hospitalização, menor flutuação dos níveis plasmáticos do medicamento e maior estabilidade clínica a longo prazo.
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