Esquizofrenia: Antipsicóticos de Depósito e Adesão

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022

Enunciado

Vinicius, 23 anos vem a consulta acompanhado de seu pai Marcos, que relata que o filho esteve internado em instituição psiquiátrica por 30 dias e teve alta há 1 semana. Há 8 meses os pais perceberam que Vinicius passou a ficar muito tempo sozinho em seu quarto, não queria se alimentar direito, tão pouco tomar banho ou trocar de roupa. Rompeu relacionamento com sua namorada e disse aos pais que ela o ameaçava de morte e, estava de conluio com seu vizinho para sequestrá-lo. Há aproximadamente 40 dias disse ter escutado comandos claros para que se matasse, quando então pulou da janela do 2º andar do seu prédio, fraturando a tíbia direita. Após descartado outros possíveis traumatismos, foi transferido para unidade psiquiátrica, onde permaneceu por 30 dias. A conduta mais adequada frente ao caso acima é:

Alternativas

  1. A) Confirmar o diagnóstico de esquizofrenia pois não há necessidade de investigação laboratorial.
  2. B) Questionar sobre o conteúdo do discurso delirante de Vinicius para convencê-lo da sua inveracidade.
  3. C) Se o tratamento estiver adequado, orientar a família que se Vinicius mantiver boa adesão, não terá recaídas.
  4. D) Se não houver adesão ao tratamento deve-se avaliar a possibilidade de administração de antipsicótico de depósito.

Pérola Clínica

Má adesão ao tratamento na esquizofrenia → considerar antipsicótico de depósito para prevenir recaídas.

Resumo-Chave

A esquizofrenia é uma doença crônica que exige tratamento contínuo. A má adesão medicamentosa é uma das principais causas de recaídas. Nesses casos, antipsicóticos de depósito são uma estratégia eficaz para melhorar a adesão e estabilizar o quadro clínico, especialmente após um episódio agudo e tentativa de suicídio.

Contexto Educacional

A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico crônico e grave, caracterizado por delírios, alucinações, pensamento desorganizado e sintomas negativos. A doença afeta cerca de 1% da população mundial e é uma das principais causas de incapacidade. O tratamento é complexo e contínuo, visando à remissão dos sintomas e à melhora da funcionalidade do paciente. O caso de Vinicius ilustra um quadro típico de esquizofrenia com sintomas psicóticos positivos (delírios, alucinações de comando) e negativos (isolamento, negligência da higiene), culminando em uma tentativa de suicídio. A alta hospitalar recente e a história de má adesão (implícita pela gravidade e cronicidade do quadro) tornam a prevenção de recaídas uma prioridade. A fisiopatologia envolve desregulação de neurotransmissores, principalmente dopamina, e alterações estruturais cerebrais. Antipsicóticos são a base do tratamento. A má adesão é um problema significativo, levando a altas taxas de recaída e pior prognóstico. Antipsicóticos de depósito (injetáveis de longa ação) são uma estratégia eficaz para garantir a adesão, especialmente em pacientes com histórico de interrupção do tratamento. Eles mantêm níveis terapêuticos do medicamento por semanas ou meses, reduzindo a necessidade de tomadas diárias e minimizando o risco de recaídas. A orientação familiar sobre a cronicidade da doença e a importância da adesão é fundamental.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios na adesão ao tratamento da esquizofrenia?

Os desafios incluem falta de insight sobre a doença, efeitos colaterais dos medicamentos, estigma social, esquecimento e complexidade do regime medicamentoso, levando a interrupções e recaídas.

Quando considerar o uso de antipsicóticos de depósito na esquizofrenia?

Antipsicóticos de depósito são indicados para pacientes com histórico de má adesão, frequentes recaídas, preferência do paciente ou cuidadores, e para simplificar o regime terapêutico, garantindo níveis séricos estáveis.

Quais são os benefícios dos antipsicóticos de depósito em comparação com os orais?

Os benefícios incluem maior adesão ao tratamento, redução das taxas de recaída e hospitalização, menor flutuação dos níveis plasmáticos do medicamento e maior estabilidade clínica a longo prazo.

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