Esquistossomose Hepatoesplênica: Rastreamento de Varizes Esofágicas

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Homem, 46 anos de idade, assintomático, realizou exames laboratoriais gerais, solicitados na UBS, que evidenciaram plaquetas de 40mil/mm³, com transaminases normais. Realizou ultrassonografia de abdome, com sinais de hepatopatia, esplenomegalia, aumento do calibre da veia porta com presença de circulação colateral. Sorologias com IgG reagente para esquistossomose e negativas para hepatites virais.Considerando esse caso clínico, indique, dentre os exames seguintes, o mais importante para seguimento do caso:

Alternativas

  1. A) Parasitológico de fezes.
  2. B) Endoscopia digestiva alta.
  3. C) Mielograma.
  4. D) Biópsia hepática.

Pérola Clínica

Esquistossomose hepatoesplênica + Hipertensão portal + Plaquetopenia → Rastrear varizes esofágicas com Endoscopia Digestiva Alta para prevenir sangramento.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de esquistossomose mansônica hepatoesplênica com hipertensão portal, evidenciada por esplenomegalia, plaquetopenia (hiperesplenismo) e circulação colateral. A complicação mais grave e letal da hipertensão portal são as varizes esofágicas, cujo sangramento pode ser fatal. A endoscopia digestiva alta é o exame essencial para rastrear e avaliar essas varizes, permitindo a profilaxia primária.

Contexto Educacional

A esquistossomose mansônica é uma doença parasitária crônica que, em sua forma hepatoesplênica, é uma das principais causas de hipertensão portal não cirrótica em regiões endêmicas. A doença é causada pela reação granulomatosa aos ovos do Schistosoma mansoni que se alojam nos sinusoides hepáticos, levando à fibrose periportal (fibrose de Symmers) e consequente aumento da resistência ao fluxo sanguíneo portal. O diagnóstico da forma hepatoesplênica é clínico-epidemiológico, com achados de esplenomegalia, hepatopatia (com transaminases frequentemente normais), e sinais de hipertensão portal como circulação colateral e plaquetopenia por hiperesplenismo. A sorologia positiva para esquistossomose e a ultrassonografia abdominal são exames complementares importantes. O principal risco e complicação dessa forma da doença é o sangramento de varizes esofágicas, que pode ser fatal. O seguimento desses pacientes deve focar na prevenção das complicações da hipertensão portal. A endoscopia digestiva alta é o exame mais importante para rastrear a presença e o grau das varizes esofágicas, permitindo a implementação de medidas de profilaxia primária de sangramento, como o uso de betabloqueadores não seletivos ou a ligadura elástica endoscópica. O tratamento da infecção ativa com praziquantel é importante, mas não reverte a fibrose já estabelecida nem a hipertensão portal.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas da esquistossomose mansônica hepatoesplênica?

A forma hepatoesplênica da esquistossomose mansônica é caracterizada por esplenomegalia, hepatomegalia (inicialmente), hipertensão portal, varizes esofágicas e plaquetopenia devido ao hiperesplenismo. Pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar sangramento digestivo alto.

Por que a plaquetopenia é comum na hipertensão portal?

A plaquetopenia na hipertensão portal é frequentemente causada pelo hiperesplenismo. O aumento do baço sequestra e destrói um número maior de plaquetas, resultando em contagens baixas. É um marcador indireto da gravidade da hipertensão portal.

Qual a importância da endoscopia digestiva alta no seguimento da hipertensão portal?

A endoscopia digestiva alta é crucial para rastrear e graduar as varizes esofágicas, que são a principal causa de sangramento digestivo alto em pacientes com hipertensão portal. A identificação precoce permite a instituição de profilaxia primária (betabloqueadores ou ligadura elástica) para prevenir o primeiro episódio de sangramento, que tem alta mortalidade.

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