INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem com 47 anos vai à unidade básica de saúde relatando caso de hematêmese e de melena. Ele nega constipação, mas relata episódios de dor abdominal esporádica, com empachamento. O paciente é natural e procedente do interior da Bahia e exerce a profissão de marceneiro. Durante a consulta, relata que toma banho em rios onde habitam caramujos. Ao exame físico, nota-se que o paciente está em regular estado geral, hipocorado (2+/4+) e ictérico (1+/4+). Considerando a suspeita diagnóstica e a provável fase da doença em que o paciente se encontra, devem ser solicitados, inicialmente, quais exames complementares?
Hematêmese + melena + história de contato com caramujos em área endêmica + icterícia/hipocorado = Esquistossomose hepatoesplênica com hipertensão portal.
A história epidemiológica (interior da Bahia, contato com rios com caramujos), a presença de hematêmese e melena (sugestivo de sangramento de varizes esofágicas) e os achados de hipocromia e icterícia são altamente sugestivos de esquistossomose mansônica na fase hepatoesplênica, com hipertensão portal. Os exames devem focar na confirmação parasitológica e na avaliação das complicações.
A esquistossomose mansônica é uma parasitose endêmica em diversas regiões do Brasil, incluindo o interior da Bahia, transmitida pelo contato com águas contaminadas por caramujos do gênero Biomphalaria. A fase hepatoesplênica é uma das formas mais graves da doença, caracterizada por fibrose periportal (fibrose de Symmers), que leva à hipertensão portal. Esta, por sua vez, causa esplenomegalia e formação de varizes esofágicas, que podem romper e provocar sangramentos digestivos altos, como hematêmese e melena, uma emergência médica. O diagnóstico da esquistossomose hepatoesplênica baseia-se na história epidemiológica, nos achados clínicos (hepatomegalia, esplenomegalia, sinais de sangramento digestivo, icterícia) e em exames complementares. A ultrassonografia abdominal é essencial para avaliar o padrão de fibrose hepática e a presença de hipertensão portal. A endoscopia digestiva alta é indispensável para identificar e graduar as varizes esofágicas, fonte do sangramento. A confirmação parasitológica é feita pela pesquisa de ovos do Schistosoma mansoni nas fezes (método de Kato-Katz). O tratamento visa eliminar o parasita com praziquantel e manejar as complicações da hipertensão portal, como o sangramento de varizes, que pode exigir ligadura elástica endoscópica ou uso de betabloqueadores. A prevenção e o controle da doença são fundamentais em áreas endêmicas.
Nesta fase, o paciente pode apresentar hepatomegalia, esplenomegalia, hipertensão portal, varizes esofágicas (com risco de sangramento, como hematêmese e melena), ascite e icterícia.
A USG abdominal avalia o fígado e o baço, detectando sinais de fibrose periportal e hipertensão portal. A EDA é crucial para identificar e graduar varizes esofágicas, que são a causa da hematêmese.
A pesquisa de ovos do parasita nas fezes (método de Kato-Katz) é fundamental para confirmar a infecção ativa e quantificar a carga parasitária, orientando o tratamento específico.
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