SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015
Ricardo de 8 anos, proveniente de Surubim, é levado à unidade de saúde da família com história de febre, astenia, anorexia, palidez e aumento do volume abdominal há 30 dias. Refere, ainda, diarreia e dor abdominal intermitente. Costuma tomar banho de rio perto de sua residência. Ao exame, apresenta-se hipocorado, com fígado palpável a 4 cm do rebordo costal direito e baço palpável a 8 cm do rebordo costal esquerdo. Traz hemograma com hemoglobina = 8,5 g/dl; leucócitos = 18.500/mm³; neutrófilos = 65%; eosinófilos = 10%; linfócitos = 20%; monócitos = 5%; plaquetas = 90.000/mm³. Qual a melhor combinação de investigação laboratorial e terapêutica para esse caso?
Hepatoesplenomegalia + eosinofilia + anemia em área endêmica → Esquistossomose mansônica. Investigar ovos nas fezes e tratar com praziquantel.
A apresentação clínica com hepatoesplenomegalia, anemia, trombocitopenia e eosinofilia em um paciente de área endêmica com histórico de contato com água doce é altamente sugestiva de esquistossomose mansônica. A pesquisa de ovos nas fezes é o método diagnóstico padrão-ouro, e o tratamento com praziquantel é essencial. A mielocultura e cloranfenicol podem ser considerados em casos de coinfecção bacteriana, como febre tifoide, que pode mimetizar ou complicar a esquistossomose.
A esquistossomose mansônica é uma doença parasitária crônica causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni, endêmica em diversas regiões do Brasil, especialmente no Nordeste. A infecção ocorre pelo contato com águas contaminadas por larvas (cercárias). É uma condição de grande importância em saúde pública, afetando principalmente crianças e jovens, e pode levar a complicações graves se não tratada adequadamente. A apresentação clínica varia desde formas assintomáticas até quadros graves com hepatoesplenomegalia, hipertensão portal e sangramento digestivo. A suspeita diagnóstica deve ser levantada em pacientes com histórico epidemiológico (contato com rios ou lagos em áreas endêmicas), apresentando sintomas como febre prolongada, dor abdominal, diarreia e, principalmente, hepatoesplenomegalia. O hemograma pode revelar anemia, trombocitopenia e eosinofilia, um achado chave que aponta para parasitose. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação de ovos do parasita nas fezes, sendo o método de Kato-Katz o mais utilizado para quantificação e acompanhamento. O tratamento da esquistossomose mansônica é realizado com praziquantel, um anti-helmíntico de alta eficácia. Em casos de coinfecções bacterianas ou complicações, outras terapias podem ser necessárias, como antibióticos (ex: cloranfenicol para febre tifoide concomitante) e medidas de suporte. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento precoce, mas a prevenção através do saneamento básico e educação em saúde é fundamental para o controle da doença.
Os principais sinais e sintomas incluem febre, astenia, anorexia, palidez, aumento do volume abdominal (hepatoesplenomegalia), diarreia e dor abdominal intermitente. Em casos crônicos, pode haver anemia e trombocitopenia.
O diagnóstico padrão-ouro é a pesquisa de ovos de Schistosoma mansoni nas fezes, utilizando métodos como o Kato-Katz. Exames de sangue podem revelar eosinofilia, anemia e trombocitopenia, que são sugestivos, mas não confirmatórios.
O tratamento de escolha é o praziquantel, que é eficaz contra as formas adultas do parasita. A dose e a duração dependem da idade e do peso do paciente, e deve ser administrado sob supervisão médica.
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