Esquistossomose Mansônica Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020

Enunciado

Escolar de 9 anos, masculino, é levado à emergência pediátrica, com queixa de febre, cefaleia, anorexia, dor abdominal difusa e náuseas há 8 dias. Mora na zona rural de Igarassu, cidade do litoral de Pernambuco, em casa de taipa, sem água encanada nem saneamento básico, tendo o hábito de jogar futebol descalço em campo de barro ao lado do rio, onde toma banho com os amigos. Ao exame, apresenta palidez 1+/4+, abdome levemente doloroso à palpação em hipocôndrio direito, com fígado palpável a cerca de 4 cm do RCD. Diante das possibilidades de diagnóstico diferencial, qual a melhor combinação de exames complementares e tratamento?

Alternativas

  1. A) Hemograma e coprocultura / ceftriaxona 100mg/kg/dia durante 7 dias
  2. B) Hemograma e parasitológico de fezes (técnica de Kato-Katz) / praziquantel 60mg/kg, dose única
  3. C) Hemograma e parasitológico de fezes / metronidazol 30mg/kg/dia durante 21 dias
  4. D) Detecção de anticorpos anti-Trypanosoma Cruzi das classes IgG e IgM / nifurtimox 15mg/kg/dia durante 60 dias
  5. E) Hemograma e PCR para Leptospira / cloranfenicol 100mg/kg/dia por 7 dias

Pérola Clínica

Criança de zona rural com contato com rio, hepatomegalia e sintomas inespecíficos → suspeitar Esquistossomose Mansônica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de uma criança de 9 anos, residente em zona rural com saneamento precário e contato com rios (fator de risco para esquistossomose), apresentando febre, dor abdominal, hepatomegalia e palidez, é altamente sugestivo de Esquistossomose Mansônica. O diagnóstico é feito com hemograma (pode haver eosinofilia) e parasitológico de fezes (técnica de Kato-Katz para ovos de Schistosoma mansoni). O tratamento de escolha é o praziquantel em dose única.

Contexto Educacional

A Esquistossomose Mansônica, também conhecida como "barriga d'água", é uma doença parasitária crônica causada pelo trematódeo Schistosoma mansoni. É endêmica em diversas regiões do Brasil, especialmente em áreas rurais com saneamento básico precário e presença do caramujo vetor Biomphalaria. A doença afeta milhões de pessoas, com maior prevalência em crianças e adolescentes, e representa um sério problema de saúde pública devido às suas complicações a longo prazo. A infecção ocorre quando as larvas cercárias, liberadas pelos caramujos em águas doces, penetram ativamente na pele humana. Após a penetração, as cercárias se transformam em esquistossômulos, migram para os pulmões, coração e, finalmente, para o sistema porta hepático, onde amadurecem e se acasalam. Os ovos depositados pelos vermes adultos são eliminados nas fezes e podem causar uma resposta inflamatória granulomatosa nos tecidos, especialmente no fígado e intestino. O quadro clínico inicial pode ser inespecífico, com febre, dor abdominal, cefaleia e náuseas. A hepatomegalia é um achado comum, indicando o envolvimento hepático. O diagnóstico da Esquistossomose Mansônica é feito pela identificação dos ovos do parasita nas fezes, sendo a técnica de Kato-Katz o método de escolha devido à sua capacidade de quantificação. Exames de sangue podem revelar eosinofilia. O tratamento de escolha é o praziquantel, um anti-helmíntico eficaz, administrado em dose única (60mg/kg para crianças, 50mg/kg para adultos). A prevenção envolve medidas de saneamento, controle de caramujos, educação em saúde e tratamento em massa em áreas de alta endemicidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para Esquistossomose Mansônica em crianças?

Os principais fatores de risco incluem residência em áreas rurais com saneamento básico deficiente, contato com águas de rios ou lagoas infestadas por caramujos do gênero Biomphalaria, e hábitos como nadar ou brincar em águas contaminadas.

Por que a técnica de Kato-Katz é importante para o diagnóstico da Esquistossomose?

A técnica de Kato-Katz é um método quantitativo para o exame parasitológico de fezes que permite a identificação e contagem dos ovos de Schistosoma mansoni, sendo fundamental para o diagnóstico e avaliação da carga parasitária.

Qual o mecanismo de ação do praziquantel no tratamento da Esquistossomose?

O praziquantel atua aumentando a permeabilidade da membrana celular do parasita ao cálcio, resultando em contração muscular e paralisia, o que leva à desintegração do tegumento do verme e sua eliminação pelo hospedeiro.

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