HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Um paciente de 38 anos de idade procurou atendimento médico com queixas de sensação de plenitude, dor epigástrica e hiporexia há quatro meses. Relatou ainda episódios diarreicos e, por vezes, disenteriformes, intercalados com constipação intestinal crônica. Ao exame físico, detectou-se fígado de consistência endurecida e aumentado de volume. Na ultrassonografia, verificou-se, além da hepatomegalia, a presença de fibrose hepática moderada, sem esplenomegalia. O paciente mora em zona endêmica de esquistossomose mansônica. Foram, então, solicitados exames complementares para confirmação do diagnóstico. Com relação ao caso clínico apresentado e de acordo com as publicações do Ministério da Saúde, julgue o item.Caso haja mais de 25% de positividade da doença na localidade de moradia do paciente descrito, a estratégia será tratar toda a população local.
Prevalência > 25% em área endêmica → Tratamento coletivo (massa) de toda a população.
Em áreas de alta endemicidade (>25% de positividade), o Ministério da Saúde recomenda o tratamento coletivo para reduzir a carga parasitária e a transmissão, independentemente do diagnóstico individual.
A esquistossomose mansônica é uma doença parasitária crônica causada pelo Schistosoma mansoni, intimamente ligada ao saneamento precário. Em áreas endêmicas, a estratégia de controle foca na redução da morbidade e da transmissão. O diagnóstico clínico no caso apresentado (hepatomegalia, fibrose moderada, sintomas gastrointestinais) sugere a forma hepática ou hepatointestinal. O Ministério da Saúde estabelece protocolos claros para intervenções populacionais baseadas na prevalência local. Quando a positividade ultrapassa 25%, a logística de testar individualmente torna-se menos custo-efetiva do que o tratamento preventivo de toda a comunidade. Essa abordagem de saúde pública visa proteger os indivíduos de complicações fibróticas hepáticas a longo prazo e reduzir a eliminação de ovos no ambiente, combatendo o reservatório humano.
Segundo o Ministério da Saúde, em localidades com prevalência superior a 25% identificada por inquéritos coproscópicos, a estratégia de controle envolve o tratamento de toda a população local (tratamento em massa) com Praziquantel. Essa medida visa reduzir rapidamente a carga parasitária da comunidade e prevenir formas graves da doença, como a hepatoesplênica, além de interromper o ciclo de transmissão ambiental.
O Praziquantel é o fármaco de escolha, administrado em dose única (50mg/kg para adultos e 60mg/kg para crianças). É eficaz contra todas as espécies de Schistosoma e possui perfil de segurança adequado para campanhas de tratamento em massa, sendo a base dos programas de controle da OMS e do Ministério da Saúde no Brasil.
As áreas são classificadas com base na positividade dos exames de fezes (método Kato-Katz). Baixa endemicidade é considerada quando a prevalência é inferior a 5%, média entre 5% e 25%, e alta (ou hiperendêmica) quando superior a 25%. O manejo clínico e as ações de vigilância epidemiológica variam conforme esse percentual de positividade populacional.
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