Esquistossomose e Síndrome Nefrótica: Diagnóstico e Conduta

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Homem de 35 anos, natural da Bahia, refere aumento do volume abdominal há 8 meses. Refere também que evolui com mialgias, hipertensão, edema de membros inferiores, inapetência e redução do volume urinário. Nega disúria, hematúria macroscópica, artralgias, uso crônico de anti-inflamatórios, cirurgias prévias e passado médico de doenças crônicas. Exames: creatinina = 1,89 mg/dl; ureia = 51 mg/dl; clearence de creatinina = 44 ml/ min. albumina 1,7g/dl. Proteína 24h = 6,56 g. Dismorfismo eritrocitário negativo. Sem cilindros hemáticos. Imunofixação sérica e urinária normal. Sorologias para hepatite negativas. Exame físico: ausência de linfoadenomegalias e lesões de pele. Abdome : globoso, tenso, ascite ++++, hepatoesplenomegalia. Em relação ao caso descrito, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) A síndrome nefrítica deve ser associada à doença de base.
  2. B) A síndrome nefrótica deve ser primária.
  3. C) O tratamento é praziquantel.
  4. D) A função hepática é deteriorada já no início da doença.

Pérola Clínica

Hepatoesplenomegalia + Síndrome Nefrótica em área endêmica → Pensar em Glomerulopatia Esquistossomótica.

Resumo-Chave

A esquistossomose mansônica, em sua forma hepatoesplênica, pode cursar com glomerulopatia mediada por imunocomplexos, manifestando-se como síndrome nefrótica. O tratamento de escolha para a parasitose é o Praziquantel.

Contexto Educacional

A esquistossomose mansônica é uma parasitose endêmica em diversas regiões do Brasil, como a Bahia. A forma hepatoesplênica é a mais grave e está intimamente ligada ao desenvolvimento de complicações renais. A fisiopatologia envolve a circulação de antígenos parasitários que, ao se ligarem a anticorpos específicos, formam imunocomplexos que se alojam nos glomérulos. Clinicamente, o diagnóstico é sugerido pela tríade de procedência de área endêmica, hepatoesplenomegalia e síndrome nefrótica. O manejo foca no controle da carga parasitária com Praziquantel e no suporte da síndrome nefrótica (diuréticos, controle pressórico e, em alguns casos, imunossupressão, embora esta última tenha eficácia limitada na forma crônica).

Perguntas Frequentes

Como a esquistossomose causa lesão renal?

A lesão renal na esquistossomose, especificamente a glomerulopatia, ocorre devido à deposição de imunocomplexos (antígenos do Schistosoma e anticorpos do hospedeiro) na membrana basal glomerular. Isso desencadeia uma resposta inflamatória que altera a permeabilidade seletiva do glomérulo, resultando em proteinúria maciça e síndrome nefrótica, geralmente associada à forma hepatoesplênica da doença.

Qual a apresentação clínica típica da glomerulopatia esquistossomótica?

O paciente tipicamente apresenta sinais de síndrome nefrótica (edema, proteinúria > 3,5g/24h, hipoalbuminemia) associados a sinais de hipertensão portal e hepatoesplenomegalia. Diferente de outras glomerulopatias, o dismorfismo eritrocitário e cilindros hemáticos costumam ser negativos, indicando um padrão predominantemente nefrótico em vez de nefrítico.

Por que o Praziquantel é indicado neste caso?

O Praziquantel é a droga de escolha para o tratamento da infecção pelo Schistosoma mansoni. Embora o tratamento antiparasitário possa não reverter completamente a lesão glomerular já estabelecida (que muitas vezes evolui para GESF), ele é fundamental para interromper a carga antigênica e a progressão da doença sistêmica e suas complicações hepáticas.

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