Esquistossomose e Varizes Esofágicas: Tratamento Cirúrgico

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 43 anos chegou ao ambulatório de cirurgia com antecedente de esquistossomose e relatando 2 episódios prévios de sangramento. Anteriormente ele necessitou de internações com realização de ligaduras elásticas de varizes de esôfago, a última há 20 dias. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o tratamento de escolha para o paciente:

Alternativas

  1. A) acompanhamento clínico com betabloqueadores
  2. B) passagem de TIPS (Transjugular Intrahepatic Portosystemic Shunt)
  3. C) esofagectomia com anastomose faringocolônica
  4. D) desconexão ázigo-portal com esplenectomia

Pérola Clínica

Esquistossomose com sangramento recorrente de varizes esofágicas refratário → desconexão ázigo-portal + esplenectomia.

Resumo-Chave

Em pacientes com hipertensão portal por esquistossomose e sangramento varicoso recorrente, mesmo após ligaduras elásticas, a desconexão ázigo-portal com esplenectomia é uma opção cirúrgica eficaz. Este procedimento visa reduzir a pressão portal e o risco de ressangramento, sendo uma alternativa aos TIPS em casos selecionados.

Contexto Educacional

A esquistossomose hepatoesplênica é uma forma grave da doença causada pelo Schistosoma mansoni, caracterizada por fibrose periportal (fibrose de Symmers) que leva à hipertensão portal pré-sinusoidal. Uma das complicações mais temidas é o sangramento por varizes de esôfago, que pode ser fatal e requer manejo especializado. O tratamento inicial do sangramento agudo envolve estabilização hemodinâmica e ligadura elástica endoscópica. No entanto, em pacientes com sangramento recorrente, mesmo após múltiplas sessões de ligadura, é necessário considerar opções de profilaxia secundária mais definitivas. A desconexão ázigo-portal com esplenectomia é uma técnica cirúrgica que visa interromper o fluxo sanguíneo para as varizes esofágicas e reduzir a hipertensão portal, sendo uma alternativa eficaz. Este procedimento é particularmente indicado em pacientes com boa função hepática e sem encefalopatia, que apresentam sangramento refratário. A esplenectomia concomitante ajuda a reduzir o hiperesplenismo e a hipertensão portal. Em contraste com o TIPS (Transjugular Intrahepatic Portosystemic Shunt), a desconexão ázigo-portal tem a vantagem de um menor risco de encefalopatia hepática, tornando-a uma escolha preferencial em centros com experiência para pacientes selecionados com esquistossomose.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da hipertensão portal na esquistossomose?

Na esquistossomose, a hipertensão portal é pré-sinusoidal, causada pela deposição de ovos de Schistosoma mansoni nos espaços porta, levando à fibrose periportal (fibrose de Symmers) e obstrução do fluxo sanguíneo.

Quando a desconexão ázigo-portal com esplenectomia é indicada?

É indicada para pacientes com hipertensão portal por esquistossomose e sangramento varicoso esofágico recorrente, refratário ao tratamento endoscópico, especialmente aqueles com boa função hepática e sem encefalopatia.

Quais as vantagens da desconexão ázigo-portal em relação ao TIPS na esquistossomose?

A desconexão ázigo-portal, por ser uma cirurgia descompressiva seletiva, tem menor risco de encefalopatia hepática em comparação com o TIPS, que é um shunt não seletivo. É particularmente vantajosa em pacientes com boa função hepática.

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