UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024
Paciente de 32 anos, morador da zona rural da cidade de Bandeirantes-PR, e pescador, comparece em consulta médica devido à febre diária há 2 semanas, associada a calafrios, dor abdominal, tosse seca e manchas de pele pruriginosas em tornozelo. Ao exame físico, Tx 38,3 ◦C, fígado a 4cm do RCD, doloroso à palpação profunda, e baço palpável a 3 cm do RCE; presença de micropápulas eritemasosas em tornozelo esquerdo. Exames: Hb 13,3 g/dL; Leucócitos 15500 (58% neutrófilos, 28% linfócitos, eosinófilos 14%).Quanto ao provável diagnóstico, assinale a alternativa correta.
Febre, calafrios, dor abdominal, hepatosplenomegalia, eosinofilia em pescador de zona rural → Esquistossomose aguda (Febre de Katayama).
O quadro clínico de febre, calafrios, dor abdominal, hepatosplenomegalia e eosinofilia, em um paciente com exposição a água doce contaminada (pescador em zona rural), é altamente sugestivo de esquistossomose aguda, também conhecida como Febre de Katayama. A dermatite pruriginosa em tornozelo pode ser a dermatite cercariana inicial.
A esquistossomose, causada pelo parasita Schistosoma mansoni no Brasil, é uma doença parasitária de grande importância em saúde pública, especialmente em regiões endêmicas. A forma aguda, conhecida como Febre de Katayama, ocorre semanas após a exposição inicial às cercárias e é caracterizada por uma resposta inflamatória intensa do hospedeiro aos ovos e vermes em desenvolvimento. A fisiopatologia envolve a migração das cercárias pela pele, sua transformação em esquistossômulos e maturação em vermes adultos no sistema porta. Os sintomas sistêmicos são decorrentes da resposta imune aos antígenos parasitários, especialmente durante a oviposição. O diagnóstico é fortemente sugerido pelo quadro clínico e epidemiológico, com eosinofilia marcante nos exames laboratoriais. O tratamento da esquistossomose aguda é feito com Praziquantel, que age contra as formas adultas do parasita. Em casos de reações inflamatórias intensas, corticosteroides podem ser associados para mitigar os sintomas. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas a prevenção da reexposição é fundamental.
Os sintomas incluem febre, calafrios, cefaleia, mialgia, tosse seca, dor abdominal, diarreia e, frequentemente, hepatosplenomegalia e eosinofilia.
A exposição a águas doces contaminadas, comum em pescadores ou moradores de zonas rurais endêmicas, é um fator crucial que aumenta a suspeita diagnóstica.
O tratamento de escolha é o Praziquantel, que é eficaz contra as formas adultas do parasita. Em casos graves, corticosteroides podem ser usados para controlar a resposta inflamatória.
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