Esporotricose: Transmissão, Tratamento e Manejo Animal

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

A esporotricose é a micose subcutânea mais frequente da América Latina, onde ocorre de forma endêmica. No estado do Rio de Janeiro, é atualmente considerada como hiperendêmica e, na região da Grande São Paulo, o número de casos também tem aumentado de forma progressiva. Com relação a esse tema, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A infecção ocorre por meio de trauma decorrente de acidentes com espinhos ou vegetais em decomposição e, com maior frequência, arranhadura ou mordedura de animais doentes, sendo o gato o mais comum.
  2. B) O quadro clássico e mais frequente da doença é o de lesões nodulares em membros, seguindo o trajeto linfático da região afetada.
  3. C) Animais com suspeita da doença não devem ser abandonados, mas, sim, separados do convívio com as pessoas da residência e recolhidos, em um local seguro, para tratamento.
  4. D) O tratamento humano pode ser realizado com itraconazol, terbinafina, anfotericina B e iodeto de potássio.
  5. E) Em caso de falecimento do animal, para se evitar a disseminação da doença, este deverá ser prontamente enterrado.

Pérola Clínica

Esporotricose: micose zoonótica (gatos), tratamento com itraconazol. Animal falecido deve ser cremado, não enterrado.

Resumo-Chave

A esporotricose é uma micose subcutânea emergente, especialmente no Brasil, com transmissão zoonótica via gatos. O tratamento humano é eficaz com antifúngicos como itraconazol. É crucial a correta destinação de animais infectados falecidos, pois o enterro pode disseminar esporos no solo, perpetuando o ciclo da doença.

Contexto Educacional

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, com crescente importância epidemiológica na América Latina, especialmente no Brasil, onde se tornou hiperendêmica em algumas regiões. A infecção ocorre principalmente por inoculação traumática do fungo, seja por contato com material vegetal contaminado (espinhos, madeira) ou, de forma mais relevante atualmente, por transmissão zoonótica, sendo o gato o principal reservatório e vetor. O quadro clínico clássico em humanos é a esporotricose cutânea linfática, caracterizada por lesões nodulares ou ulceradas que se desenvolvem ao longo do trajeto linfático do membro afetado. O diagnóstico é feito por cultura de material das lesões ou biópsia. O tratamento é geralmente eficaz com antifúngicos como itraconazol, terbinafina, iodeto de potássio e, em casos mais graves ou disseminados, anfotericina B. O manejo de animais com esporotricose é crucial para o controle da doença. Gatos doentes devem ser isolados e tratados. Em caso de óbito de animal infectado, a cremação é a medida mais segura para evitar a contaminação ambiental do solo com esporos do fungo, o que perpetuaria o ciclo da doença. O enterro, ao contrário, representa um risco de disseminação e não é recomendado. A educação da população e a vigilância epidemiológica são fundamentais.

Perguntas Frequentes

Qual a principal via de transmissão da esporotricose em áreas endêmicas?

A principal via de transmissão em áreas endêmicas, especialmente no Brasil, é zoonótica, através do contato com gatos infectados (arranhaduras, mordeduras ou contato com lesões). A transmissão por trauma com material vegetal contaminado também ocorre.

Quais são as formas clínicas mais comuns da esporotricose humana?

A forma clínica mais comum é a cutânea linfática, caracterizada por lesões nodulares que seguem o trajeto dos vasos linfáticos. Outras formas incluem a cutânea fixa, disseminada e extracutânea, que são menos frequentes.

Quais medicamentos são utilizados no tratamento da esporotricose humana?

O itraconazol é o tratamento de primeira linha para a maioria das formas clínicas. Outras opções incluem terbinafina, iodeto de potássio (especialmente para formas linfocutâneas) e anfotericina B para casos graves ou refratários.

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