Esporotricose Linfocutânea: Diagnóstico e Conduta Inicial

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026

Enunciado

Uma mulher de 45 anos, moradora de área rural, é admitida ao serviço de saúde com queixa de lesões cutâneas ulceradas no braço direito, que surgiram há 3 semanas após uma atividade de jardinagem. Inicialmente, ela notou uma pápula eritematosa no antebraço, que evoluiu para uma úlcera. Nos últimos dias, surgiram novas lesões nodulares e ulceradas ao longo do trajeto linfático, estendendo-se até a região proximal do braço. A paciente não apresenta febre nem outros sintomas sistêmicos. No exame físico, há múltiplos nódulos e úlceras em cadeia ascendente no braço, sem linfonodomegalia axilar. Ela nega doenças crônicas e uso de medicamentos. Com base no quadro clínico, qual o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Esporotricose linfocutânea; iniciar itraconazol por via oral.
  2. B) Paracoccidioidomicose; iniciar sulfametoxazol-trimetoprim.
  3. C) Leishmaniose cutânea localizada; solicitar biópsia para confirmar e iniciar anfotericina B.
  4. D) Tuberculose cutânea; solicitar baciloscopia e iniciar esquema tuberculostático.
  5. E) Cromoblastomicose; iniciar fluconazol após confirmação por biópsia.

Pérola Clínica

Lesão ulcerada + cordão nodular ascendente (linfangite nodular) → Esporotricose.

Resumo-Chave

A esporotricose linfocutânea é a forma mais comum da infecção pelo Sporothrix, caracterizada por disseminação linfática centrípeta após inoculação traumática em atividades como jardinagem.

Contexto Educacional

A esporotricose é a micose subcutânea mais frequente na América Latina. O quadro clínico clássico apresenta-se como uma pápula ou nódulo inicial no local do trauma que ulcera (cancro de inoculação), seguido pelo surgimento de novos nódulos que seguem o trajeto dos vasos linfáticos regionais, fenômeno conhecido como linfangite nodular ou esporotricoide. Na prática clínica, o diagnóstico diferencial deve incluir leishmaniose tegumentar, tuberculose cutânea, infecções por micobactérias atípicas (M. marinum) e nocardiose. O tratamento com itraconazol apresenta altas taxas de cura e perfil de segurança favorável, sendo fundamental monitorar a função hepática e interações medicamentosas durante a terapia.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico da esporotricose?

A esporotricose é causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, que são fungos dimórficos encontrados no solo, vegetais e matéria orgânica em decomposição. A infecção ocorre geralmente por inoculação traumática na pele (espinhos, lascas de madeira) ou por arranhadura/mordedura de animais infectados, como gatos.

Como é feito o diagnóstico laboratorial?

O padrão-ouro é o cultivo de fungos a partir de biópsia de tecido, aspirado de nódulos ou exsudato de úlceras. O exame direto (micológico) tem baixa sensibilidade, mas o histopatológico pode mostrar granulomas e, raramente, as clássicas leveduras em forma de charuto ou corpos asteroides.

Qual a primeira linha de tratamento?

O itraconazol por via oral (100 a 200 mg/dia) é o tratamento de escolha para as formas cutâneas e linfocutâneas, devendo ser mantido por 1 a 2 meses após a cura clínica. Em casos de contraindicação ao itraconazol, a solução saturada de iodeto de potássio ou a terbinafina podem ser alternativas.

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