UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Criança de 7 anos é levada para atendimento com quadro de lesões ulceradas em membro superior direito há dois meses. A mãe refere que já fez diversos tratamentos com antialérgicos prescritos, sem melhora do quadro. Nega febre e refere que as lesões começam com pequenas pápulas indolores que crescem e ulceram. Ao exame físico, a criança apresenta quatro lesões ulceradas em região de antebraço direito, com nódulos subcutâneos de consistência amolecida, em trajeto linear, que seguem anatomicamente a drenagem linfática do membro. O diagnóstico mais provável é:
Lesões pápulo-ulceradas + nódulos subcutâneos em trajeto linfático linear = Esporotricose linfocutânea.
A esporotricose linfocutânea, frequentemente associada à exposição a gatos ou solo contaminado, manifesta-se por lesões cutâneas que evoluem de pápulas para úlceras, acompanhadas de nódulos subcutâneos que seguem o trajeto da drenagem linfática regional, caracterizando a linfangite nodular.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, sendo o Sporothrix schenckii a espécie mais comum. É adquirida por inoculação traumática do fungo na pele, geralmente através de espinhos de plantas ou arranhaduras de animais (especialmente gatos), sendo conhecida como "doença da arranhadura do gato". A doença é endêmica em várias regiões do Brasil. A forma linfocutânea é a apresentação clínica mais comum, caracterizada por uma lesão primária no local da inoculação que pode ser uma pápula, nódulo ou úlcera. Posteriormente, desenvolvem-se nódulos secundários ao longo do trajeto dos vasos linfáticos regionais, formando uma cadeia de lesões que ulceram, conhecida como linfangite nodular. As lesões são geralmente indolores ou pouco dolorosas. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e epidemiologia, e confirmado por cultura do fungo a partir de material das lesões. O tratamento de escolha para a esporotricose linfocutânea é o iodeto de potássio oral, que é eficaz e de baixo custo. O itraconazol é uma alternativa importante, especialmente em casos de intolerância ou refratariedade ao iodeto de potássio.
Caracteriza-se por uma lesão primária (pápula, nódulo ou úlcera) no local da inoculação, seguida pelo desenvolvimento de nódulos secundários ao longo do trajeto linfático regional, formando uma cadeia de lesões.
O diagnóstico é confirmado pelo isolamento do fungo Sporothrix schenckii em cultura de material das lesões (pus, biópsia). A histopatologia pode mostrar granulomas e, ocasionalmente, corpos asteroides.
O tratamento de escolha para a forma linfocutânea é o iodeto de potássio oral. Alternativas incluem itraconazol, especialmente para casos mais extensos ou refratários.
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