INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Um homem de 40 anos, funcionário de um pet shop, morador da cidade de São Paulo, procurou atendimento na unidade de saúde da família, devido a uma ferida no antebraço. Relatou que a lesão surgira havia 2 meses, inicialmente como um pequeno “caroço”, que cresceu e ulcerou. Disse, ainda, que, nas últimas três semanas, surgiram novos “caroços” no antebraço. No exame físico, apresentava-se em bom estado geral, afebril, eutrófico, com úlcera de aproximadamente 3 cm de diâmetro no antebraço direito. Também no antebraço direito, apresentava 4 nódulos eritematosos distribuídos de forma linear entre a úlcera e a fossa cubital. Apresentava, ainda, linfonodo axilar direito aumentado, de consistência fibroelástica, levemente doloroso à palpação.Nesse caso, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Lesão ulcerada + nódulos lineares ascendentes (linfangite nodular) + exposição a gatos/solo (pet shop) = Esporotricose.
O quadro clínico de uma lesão ulcerada inicial seguida por nódulos eritematosos distribuídos linearmente ao longo do trajeto linfático (linfangite nodular) e linfadenopatia regional, associado à ocupação em pet shop (exposição a gatos ou solo), é altamente sugestivo de esporotricose. Esta micose subcutânea é causada por fungos do gênero Sporothrix.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, sendo Sporothrix schenckii o mais comum. A infecção ocorre por inoculação traumática do fungo na pele, geralmente através de espinhos de plantas ou, de forma crescente, por arranhadura ou mordida de gatos infectados, que são importantes reservatórios e transmissores da doença, especialmente em áreas urbanas como São Paulo. O quadro clínico mais comum é a forma linfocutânea, como descrito no caso. Inicia-se com uma lesão primária no local da inoculação (um "caroço" que cresce e ulcera), seguida pelo aparecimento de nódulos secundários eritematosos e indolores, que se distribuem linearmente ao longo do trajeto dos vasos linfáticos regionais, formando o clássico padrão de linfangite nodular. A linfadenopatia regional também é comum. O diagnóstico é feito pela cultura do fungo a partir de material da lesão ou biópsia, ou por exame histopatológico. O tratamento de escolha é o iodeto de potássio ou itraconazol. A história ocupacional (pet shop) e a epidemiologia (São Paulo é uma área endêmica para esporotricose felina) são cruciais para a suspeita diagnóstica.
A esporotricose linfocutânea tipicamente começa com uma lesão primária (nódulo, úlcera) no local da inoculação, seguida pelo desenvolvimento de múltiplos nódulos eritematosos e indolores ao longo do trajeto linfático regional.
Funcionários de pet shops têm maior risco de esporotricose devido ao contato com gatos infectados, que são importantes vetores da doença, especialmente em áreas endêmicas como São Paulo.
Os diferenciais incluem outras micoses profundas (cromoblastomicose, blastomicose), leishmaniose tegumentar, infecções bacterianas atípicas (micobacterioses), tularemia e nocardiose.
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