MedEvo Simulado — Prova 2026
Um jardineiro de 42 anos procura atendimento médico devido ao surgimento de pequenas pápulas eritematosas no dedo médio da mão direita, que evoluíram para nódulos e ulcerações indolores. Ele relata que as lesões surgiram cerca de três semanas após ter se ferido em espinhos de roseiras enquanto trabalhava. Ao exame físico, observa-se uma cadeia de nódulos subcutâneos que seguem um trajeto linear ascendente pelo antebraço, conforme ilustrado na imagem. Não há febre ou linfonodomegalia regional significativa. Com base no quadro clínico e na imagem apresentada, o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica de primeira linha são, respectivamente:
Lesão nodular ulcerada + trajeto linfangítico após trauma vegetal = Esporotricose → Itraconazol.
A forma linfocutânea da esporotricose apresenta-se com nódulos que seguem a drenagem linfática (rosário esporotricótico) após inoculação traumática do fungo.
A esporotricose é a micose subcutânea mais comum na América Latina. Sua apresentação clínica varia desde a forma cutânea fixa até a disseminada em imunocomprometidos, sendo a linfocutânea a mais característica. O diagnóstico definitivo é feito pelo isolamento do fungo em cultura (padrão-ouro) a partir de aspirado de nódulos ou biópsia. O exame histopatológico muitas vezes é inespecífico, mostrando granulomas supurativos. Além do Itraconazol, o iodeto de potássio é uma alternativa histórica de baixo custo, mas com mais efeitos colaterais. O manejo adequado evita a cronificação e a desfiguração das lesões.
A esporotricose é causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii. A transmissão clássica (sapronótica) ocorre por inoculação traumática de material orgânico contaminado, como espinhos, palha ou terra (doença do jardineiro). Atualmente, a transmissão zoonótica por arranhadura ou mordedura de gatos infectados (Sporothrix brasiliensis) tornou-se uma epidemia importante em áreas urbanas do Brasil.
O Itraconazol é considerado o padrão-ouro para o tratamento da esporotricose cutânea e linfocutânea devido à sua alta eficácia, perfil de segurança favorável e comodidade posológica (via oral). A dose usual é de 100 a 200 mg/dia, mantida até 2 a 4 semanas após a cura clínica completa, totalizando geralmente 3 a 6 meses de tratamento.
O principal diferencial é a leishmaniose tegumentar (forma esporotricoide), mas também devem ser considerados: micobacterioses atípicas (como M. marinum), nocardiose, paracoccidioidomicose e, menos comumente, linfangite bacteriana por S. pyogenes. A história epidemiológica de contato com plantas ou gatos é a chave para o diagnóstico.
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