Esporotricose Linfocutânea: Diagnóstico e Transmissão Felina

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Menino, 10 anos de idade, há 1 mês foi ferido por um gato, evoluindo com lesão na mão direita que progrediu com surgimento de novas lesões no antebraço direito. Sem doenças prévias. Ao exame dermatológico, vários nódulos ulcerados de 0,3 cm a 1,5 cm em disposição linear seguindo linfático como conta de rosário, acometendo dorso da mão direita e antebraço direito. Qual é a hipótese mais provável?

Alternativas

  1. A) Dermatofitose.
  2. B) Doença da arranhadura de gato.
  3. C) Micobacteriose atípica.
  4. D) Esporotricose.

Pérola Clínica

Lesões cutâneas nodulares ulceradas em disposição linear após arranhadura de gato → Esporotricose linfocutânea.

Resumo-Chave

A esporotricose linfocutânea, frequentemente associada a arranhaduras ou mordidas de gatos infectados, manifesta-se com lesões nodulares que ulceram e se disseminam ao longo dos vasos linfáticos, formando um padrão característico de 'contas de rosário'. O tempo de incubação e a progressão das lesões são compatíveis com a história apresentada.

Contexto Educacional

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, com destaque para Sporothrix brasiliensis no Brasil, que é altamente virulento e associado a surtos zoonóticos. A doença é classicamente adquirida por inoculação traumática do fungo presente no solo, vegetais ou, mais recentemente e de forma alarmante, através de arranhaduras ou mordidas de gatos infectados. A forma linfocutânea é a mais comum, representando cerca de 75% dos casos, e é caracterizada por lesões nodulares que se desenvolvem no local da inoculação e se disseminam ao longo dos vasos linfáticos regionais, formando uma cadeia de nódulos que podem ulcerar. O diagnóstico da esporotricose é primariamente clínico, baseado na história de exposição (contato com solo, plantas ou animais, especialmente gatos) e nas características das lesões. A confirmação laboratorial é feita por cultura do material das lesões (pus, biópsia) em meios específicos para fungos, que permite a identificação do Sporothrix spp. Exames histopatológicos podem revelar granulomas com corpúsculos asteroides, embora não sejam patognomônicos. É crucial diferenciar de outras condições como micobacterioses atípicas, leishmaniose cutânea e doença da arranhadura de gato. O tratamento da esporotricose linfocutânea é eficaz com iodeto de potássio oral, que é de baixo custo e boa tolerância. Alternativamente, o itraconazol oral é uma opção, especialmente em casos de intolerância ou falha ao iodeto. Em formas mais graves ou disseminadas, a anfotericina B pode ser necessária. A prevenção envolve o uso de luvas e roupas de proteção ao manipular solo ou plantas, e o controle da doença em animais, especialmente gatos, que podem ser reservatórios e transmissores importantes.

Perguntas Frequentes

Quais são as formas clínicas da esporotricose?

A esporotricose pode se apresentar em formas cutâneas (linfocutânea, cutânea fixa, cutânea disseminada), extracutâneas (ostearticular, pulmonar) e disseminada, sendo a linfocutânea a mais comum, caracterizada por lesões que seguem o trajeto linfático.

Como é feito o diagnóstico da esporotricose?

O diagnóstico é feito principalmente por cultura de material das lesões (pus, biópsia) em meios específicos para fungos, identificando o Sporothrix schenckii. Exames histopatológicos e testes sorológicos também podem auxiliar, mas a cultura é o padrão-ouro.

Qual o tratamento para esporotricose linfocutânea?

O tratamento de escolha para a esporotricose linfocutânea é o iodeto de potássio oral. Em casos mais graves ou disseminados, antifúngicos como itraconazol ou anfotericina B podem ser necessários, com duração prolongada.

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