HSL Copacabana - Hospital São Lucas Copacabana (RJ) — Prova 2020
João, 6 anos, é levado por sua mãe ao consultório de pediatria com lesões ulceradas na perna direita. As lesões têm evolução de seis semanas, tendo iniciado como pápula que evoluiu para ulceração, com posterior surgimento de outros nódulos que também ulceraram. Já ocorreram dois atendimentos anteriores onde foi prescrito, na primeira ocasião, cefalexina e na segunda ocasião, sulfametoxazol- trimetoprim. Não houve melhora das lesões. Menor saudável, sem comorbidades, eutrófico, calendário vacinal completo. Responsável relata contato domiciliar com gato que apresentava lesões de pele e faleceu na última semana. Exame físico sem outras alterações além das lesões cutâneas. A história clínica e as lesões são características de:
Esporotricose: lesões cutâneas nodulares/ulceradas + contato com felino doente → suspeitar de micose.
A esporotricose é uma micose subcutânea que se manifesta frequentemente com lesões nodulares e ulceradas, muitas vezes com padrão linfocutâneo. O contato com gatos doentes é um fator epidemiológico chave, especialmente em áreas endêmicas, e a falta de resposta a antibióticos comuns reforça a suspeita de infecção fúngica.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix, com destaque para Sporothrix schenckii. É uma doença de distribuição global, mas com áreas de alta endemicidade, como o Brasil, onde a transmissão zoonótica por gatos tem se tornado um problema de saúde pública. A doença afeta principalmente a pele e o tecido subcutâneo, mas pode ter formas disseminadas. O diagnóstico da esporotricose é baseado na história clínica, exame físico e confirmação laboratorial. A forma linfocutânea, como no caso apresentado, é a mais comum, caracterizada por lesões nodulares e ulceradas que seguem o trajeto linfático. A história de contato com felinos doentes é um forte indício epidemiológico. A falha no tratamento com antibióticos comuns deve levantar a suspeita de infecção fúngica. O tratamento da esporotricose depende da forma clínica. Para as formas cutânea e linfocutânea, o itraconazol oral é a droga de escolha, administrado por vários meses até a cura clínica e micológica. Em casos mais graves ou disseminados, anfotericina B pode ser necessária. O controle da zoonose felina é fundamental para a prevenção.
A esporotricose linfocutânea tipicamente se manifesta com uma lesão primária no local da inoculação, que pode ser uma pápula, nódulo ou úlcera, seguida pelo surgimento de nódulos secundários ao longo do trajeto linfático.
Gatos são importantes reservatórios e transmissores da esporotricose, especialmente em surtos urbanos. A transmissão ocorre por arranhadura, mordedura ou contato com lesões de felinos infectados, sendo um dado epidemiológico crucial.
O diagnóstico é feito por cultura do fungo (Sporothrix schenckii) a partir das lesões ou biópsia. O tratamento de escolha para a forma cutânea e linfocutânea é o itraconazol por via oral, por um período prolongado.
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