Esporotricose Felina: Diagnóstico e Manejo Clínico

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 50 anos, sexo feminino, procura atendimento ambulatorial por lesão de pele em dorso da mão direita, três semanas após ter sido arranhada por um gato doente que encontrou na rua, o qual apresentava múltiplas lesões ulceradas de pele. Ela refere que a lesão provocada pela arranhadura inicial cicatrizou, porém nos últimos dias notou o aparecimento de lesões papulares no local, com formação de placa eritematosa infiltrada e posterior ulceração da lesão. Refere também que percebeu lesões nodulares mais profundas no antebraço e braço direito, ascendentes, aparentemente seguindo trajeto linfático ao exame físico. Diante do exposto, o provável diagnóstico e a indicação para o caso são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) doença da arranhadura do gato – tratamento empírico com azitromicina.
  2. B) infecção secundária da lesão inicial por bactérias presentes na pele, como Staphylococcus aureus – tratamento empírico com cefalexina.
  3. C) micobacteriose cutânea de transmissão animal – investigação complementar com biópsia para cultura e exame anátomopatológico para confirmação diagnóstica.
  4. D) toxoplasmose por inoculação direta – sorologia IgG e IgM para toxoplasmose para confirmação diagnóstica.
  5. E) provável esporotricose de transmissão felina – biópsia da lesão para cultura e exame anátomopatológico para confirmação diagnóstica.

Pérola Clínica

Lesões cutâneas nodulares ascendentes após arranhadura de gato doente → Esporotricose linfocutânea.

Resumo-Chave

A esporotricose, especialmente a forma linfocutânea, deve ser fortemente suspeitada em pacientes com lesões nodulares e ulceradas que seguem um trajeto linfático ascendente, após contato com gatos doentes. O diagnóstico requer confirmação laboratorial, idealmente por cultura.

Contexto Educacional

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, classicamente associada ao contato com solo, plantas e matéria orgânica. No entanto, no Brasil, a transmissão zoonótica por gatos doentes tem se tornado uma importante via de infecção, especialmente no Rio de Janeiro. A forma linfocutânea é a mais comum, caracterizada por lesões nodulares e ulceradas que se disseminam ao longo dos vasos linfáticos regionais, formando uma cadeia de nódulos. O histórico de arranhadura ou contato com gatos com lesões cutâneas é um forte indício diagnóstico. O diagnóstico diferencial inclui outras infecções cutâneas (bacterianas, micobacterianas atípicas) e leishmaniose. A confirmação laboratorial por cultura é essencial. O tratamento com itraconazol é eficaz, mas requer adesão prolongada para evitar recidivas. A saúde pública e a medicina veterinária têm um papel crucial no controle da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da esporotricose linfocutânea?

A esporotricose linfocutânea manifesta-se com uma lesão primária (pápula, nódulo, úlcera) no local da inoculação, seguida pelo desenvolvimento de nódulos secundários que se estendem proximalmente ao longo dos vasos linfáticos, formando um cordão linfático palpável.

Como é feito o diagnóstico definitivo da esporotricose?

O diagnóstico definitivo é feito pelo isolamento do Sporothrix schenckii em cultura de material das lesões (biópsia, aspirado de nódulo ou exsudato). O exame histopatológico pode ser sugestivo, mas a cultura é o padrão-ouro.

Qual o tratamento de escolha para esporotricose linfocutânea?

O tratamento de escolha para a esporotricose linfocutânea é o itraconazol, administrado por via oral por um período prolongado, geralmente de 3 a 6 meses, ou até 2 a 4 semanas após a cura clínica.

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