Esporotricose Cutânea: Diagnóstico e Tratamento com Itraconazol

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 56 anos, relata que há 4 semanas surgiram lesões nodulares, eritematosas e levemente dolorosas em membro superior direito (fotografia). As lesões surgiram após trauma com espinho na mão direita, enquanto trabalhava com jardinagem. Nega doenças e uso de medicamentos. Habita a zona urbana e nega viagens recentes. Considerando o diagnóstico mais provável, qual o tratamento mais adequado?

Alternativas

  1. A) Sulfametoxazol + trimetoprim.
  2. B) Cefalotina.
  3. C) ltraconazol.
  4. D) Antimoniato de N metilglucamina.

Pérola Clínica

Lesões nodulares eritematosas após trauma com espinho (jardinagem) → Esporotricose. Tto: Itraconazol.

Resumo-Chave

A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo complexo Sporothrix schenckii, frequentemente associada a traumas com material vegetal contaminado, como espinhos. A apresentação clássica é de lesões nodulares que podem seguir um trajeto linfático. O itraconazol é o tratamento de escolha para as formas cutâneas e linfocutâneas.

Contexto Educacional

A esporotricose é uma micose subcutânea crônica causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, com distribuição global, mas com áreas de alta endemicidade, como o Brasil. É considerada uma doença ocupacional, afetando principalmente trabalhadores rurais, jardineiros e floricultores, devido ao contato com solo, plantas e matéria orgânica contaminados. A infecção ocorre por inoculação traumática do fungo na pele, frequentemente por espinhos ou farpas, sendo crucial a história de exposição para o diagnóstico. A fisiopatologia envolve a implantação do fungo na derme ou subcutâneo, onde se desenvolve e pode se disseminar pelos vasos linfáticos. A apresentação clínica mais comum é a forma cutânea linfangítica, caracterizada por lesões nodulares, eritematosas e indolores que se estendem proximalmente ao longo do trajeto linfático. Outras formas incluem a cutânea fixa, disseminada e extracutânea, que são menos frequentes. O diagnóstico é feito pela cultura do fungo a partir das lesões ou por histopatologia. O tratamento da esporotricose depende da forma clínica. Para as formas cutânea e linfocutânea, o itraconazol oral é o fármaco de escolha, com altas taxas de cura e boa tolerabilidade. A duração do tratamento varia, mas geralmente se estende por 3 a 6 meses, ou até 2 a 4 semanas após a cura clínica. Em casos de intolerância ou falha terapêutica, outras opções como iodeto de potássio ou anfotericina B podem ser consideradas, especialmente para formas mais graves ou disseminadas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas típicos da esporotricose cutânea linfangítica?

A esporotricose cutânea linfangítica tipicamente se manifesta com lesões nodulares, eritematosas e levemente dolorosas que surgem no local da inoculação e se disseminam ao longo dos vasos linfáticos, formando uma cadeia de nódulos.

Qual a principal via de transmissão da esporotricose e quem está em risco?

A esporotricose é transmitida por inoculação traumática do fungo Sporothrix schenckii presente no solo, plantas ou matéria orgânica. Jardineiros, agricultores e pessoas que lidam com animais (especialmente gatos infectados) estão em maior risco.

Por que o itraconazol é o tratamento de escolha para a esporotricose?

O itraconazol é o antifúngico de escolha para a esporotricose cutânea e linfocutânea devido à sua eficácia, boa tolerabilidade e conveniência de administração oral. Em casos mais graves ou refratários, outras opções podem ser consideradas.

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