INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Um homem com 36 anos de idade comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de lesão cutânea localizada no membro superior direito. Ele informa que, cerca de 10 dias após realizar atividades de jardinagem em seu sítio, utilizando a enxertia de algumas de suas laranjeiras, observou o aparecimento de uma pápula dolorosa no 1.º quirodáctilo direito. Nos dias subsequentes, essa lesão evoluiu com ulceração local, surgindo, posteriormente, lesões similares no mesmo antebraço. Durante o exame, são observadas pápulas ulceradas na região assinalada, havendo aspecto sugestivo de disseminação linfangítica do processo. O médico suspeita de uma determinada dermatose de etiologia infecciosa. Com base na apresentação clínica e considerando a história epidemiológica relatada, o agente etiológico e o meio de cultura em agar adequado para sua detecção são, respectivamente,
Esporotricose → lesões cutâneas ulceradas + disseminação linfangítica + contato com solo/vegetais = Sporothrix schenckii.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, classicamente associada a atividades que envolvem contato com solo e vegetais, manifestando-se com lesões cutâneas que podem seguir um trajeto linfático.
A esporotricose é uma micose subcutânea de distribuição mundial, causada por espécies do complexo Sporothrix, sendo Sporothrix schenckii a mais conhecida no contexto humano. É considerada uma doença ocupacional em jardineiros, agricultores e floricultores, devido ao contato com solo, plantas e matéria orgânica contaminada. Recentemente, a transmissão zoonótica por gatos tem se tornado uma preocupação crescente, especialmente no Brasil. Clinicamente, a forma mais comum é a cutâneo-linfática, caracterizada por uma lesão primária (pápula, nódulo ou úlcera) no local da inoculação, seguida pelo surgimento de lesões nodulares secundárias que se estendem ao longo dos vasos linfáticos regionais. O diagnóstico é feito pela história clínica e epidemiológica, exame micológico direto e cultura em meios específicos como o ágar Sabouraud, que permite o crescimento do fungo em temperatura ambiente. O tratamento da esporotricose varia conforme a forma clínica, mas o itraconazol é a droga de escolha para as formas cutâneas e cutâneo-linfáticas. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam atentos a essa dermatose, especialmente em pacientes com histórico de exposição ambiental ou contato com animais, para um diagnóstico e tratamento precoces e eficazes.
A esporotricose cutânea clássica se manifesta como pápulas ou nódulos que podem ulcerar, geralmente no local da inoculação, e pode progredir com lesões secundárias ao longo dos vasos linfáticos (disseminação linfangítica).
A transmissão ocorre por inoculação traumática do fungo (Sporothrix schenckii) na pele, geralmente através de espinhos de plantas, farpas de madeira ou arranhões de animais contaminados, como gatos.
O meio de cultura mais adequado para o isolamento e identificação de Sporothrix schenckii é o ágar Sabouraud, que permite o crescimento de fungos e inibe o crescimento de bactérias.
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