Esporotricose Linfocutânea: Diagnóstico e Transmissão Felina

HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023

Enunciado

Helena iniciou há seis semanas com lesões ulceradas em antebraço esquerdo. As lesões iniciaram com uma pápula que evoluiu para ulceração e com posterior surgimento de uma sequência de outros nódulos que também ulceraram. Com esse quadro já foi por duas vezes atendido e medicado com cefalexina e sulfametoxazoltrimetoprim, sem melhora das lesões. Sua mãe relata contato domiciliar com gato que apresentava lesões de pele e que faleceu na última semana. Restante do exame físico sem anormalidades. Nesse caso, é CORRETO afirmar que a história e as lesões são características de:

Alternativas

  1. A) Esporotricose.
  2. B) Paracoccidioidomicose.
  3. C) Toxoplasmose.
  4. D) Doença da arranhadura do gato.

Pérola Clínica

Lesões ulceradas em cadeia linfática + contato com gato doente = Esporotricose linfocutânea.

Resumo-Chave

A esporotricose linfocutânea é uma micose subcutânea causada por Sporothrix spp., caracterizada por lesões nodulares e ulceradas que seguem o trajeto linfático, frequentemente associada ao contato com gatos infectados.

Contexto Educacional

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, com destaque para Sporothrix schenckii e Sporothrix brasiliensis. No Brasil, a esporotricose zoonótica, transmitida por gatos, tornou-se uma epidemia, especialmente na região Sudeste. É uma doença importante para a saúde pública e para a prática clínica, dada sua crescente incidência e o potencial de formas graves. A fisiopatologia envolve a inoculação traumática do fungo na pele, geralmente por espinhos de plantas ou, mais comumente, por arranhões ou mordidas de gatos infectados. A forma linfocutânea, como descrita na questão, é a mais comum, caracterizada pela disseminação do fungo pelos vasos linfáticos, formando uma cadeia de nódulos e úlceras. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, mas pode ser confirmado por cultura de secreção das lesões ou biópsia. O tratamento da esporotricose depende da forma clínica. Para a forma linfocutânea, o itraconazol oral é a primeira escolha, com duração prolongada (meses) até a cura completa das lesões. Em casos de intolerância ou resistência, outras opções incluem iodeto de potássio ou anfotericina B para formas mais graves. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falta de diagnóstico correto e o tratamento tardio podem levar a complicações e disseminação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da esporotricose linfocutânea?

Caracteriza-se por uma lesão primária (pápula, nódulo ou úlcera) que evolui com o surgimento de lesões secundárias nodulares e ulceradas ao longo do trajeto linfático regional, formando uma cadeia de lesões.

Como a esporotricose é transmitida por gatos?

Gatos infectados, especialmente com lesões cutâneas, podem transmitir o fungo Sporothrix spp. através de arranhões, mordidas ou contato direto com as lesões, sendo uma importante zoonose no Brasil.

Qual o tratamento de escolha para esporotricose?

O tratamento de escolha para a esporotricose cutânea e linfocutânea é o itraconazol por via oral, por um período prolongado (geralmente meses), até a cura clínica e micológica completa das lesões.

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