Esporotricose: Diagnóstico, Transmissão e Tratamento

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

A esporotricose é a micose subcutânea mais prevalente na América Latina. Em Manaus casos autoctones tem surgido desde dezembro 2020 ocasionando um surto epidêmico da doença. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Os mecanismos de transmissão incluem implantação direta do fungo no tecido celular subcutâneo, arranhaduras ou mordeduras do animal contaminado e a transmissão entre humanos é frequentemente reportada.
  2. B) A manifestação mais comum é a forma localizada que se traduz clinicamente por um nódulo com centro necrótico e ulcerado (cancro esporotricótico) ou placa infiltrada e verrucosa e ou ulcerada.
  3. C) É causada por fungo do gênero Sporothrix, cujas espécies mais prevalentes no Brasil são S. schenckii e S. brasiliensis.
  4. D) O tratamento é feito exclusivamente com solução de iodeto de potássio 20 a 25 gotas 2x por dia para adultos após as refeições até 1 mês após o desaparecimento das lesões.

Pérola Clínica

Esporotricose = Sporothrix spp. (S. brasiliensis no Brasil). Transmissão por inoculação traumática ou arranhadura/mordedura de felinos.

Resumo-Chave

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, com S. brasiliensis sendo a espécie mais prevalente e agressiva no Brasil, especialmente associada à transmissão zoonótica por felinos. A transmissão entre humanos é rara, e o tratamento não se restringe apenas ao iodeto de potássio.

Contexto Educacional

A esporotricose é a micose subcutânea mais prevalente na América Latina, causada por fungos dimórficos do gênero Sporothrix. No Brasil, as espécies mais importantes são Sporothrix schenckii e, principalmente, Sporothrix brasiliensis, que se destaca pela sua virulência e pela forte associação com a transmissão zoonótica por felinos, resultando em surtos epidêmicos em várias regiões, como Manaus e Rio de Janeiro. A doença afeta tanto humanos quanto animais, sendo um problema de saúde pública crescente. A transmissão ocorre primariamente por inoculação traumática do fungo na pele, através de espinhos de plantas, farpas de madeira ou, mais comumente no contexto atual brasileiro, por arranhaduras ou mordeduras de gatos infectados. A transmissão entre humanos é rara. As manifestações clínicas variam, sendo a forma cutânea localizada (cancro esporotricótico, placa verrucosa ou ulcerada) e a linfocutânea (lesões nodulares que seguem o trajeto linfático) as mais comuns. O diagnóstico é feito por cultura do fungo a partir das lesões. O tratamento da esporotricose depende da forma clínica e da gravidade. Para as formas cutâneas e linfocutâneas, o iodeto de potássio oral e o itraconazol são as opções mais utilizadas, com boa eficácia. Em casos de formas disseminadas ou refratárias, a anfotericina B pode ser indicada. É fundamental que o tratamento seja prolongado, geralmente por meses, e mantido até um período após o desaparecimento completo das lesões para evitar recidivas. A prevenção envolve o controle da doença em animais e o uso de equipamentos de proteção para trabalhadores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais formas clínicas da esporotricose?

A forma mais comum é a cutânea, que pode ser localizada (cancro esporotricótico, placa infiltrada) ou linfocutânea (lesões nodulares ao longo dos vasos linfáticos). Formas disseminadas e extracutâneas são mais raras e graves.

Como a esporotricose é transmitida aos humanos?

A transmissão ocorre principalmente por inoculação traumática do fungo presente no solo, vegetais ou madeira. No Brasil, a transmissão zoonótica por arranhadura ou mordedura de gatos infectados, especialmente por Sporothrix brasiliensis, é a via mais comum e preocupante.

Qual o tratamento de escolha para a esporotricose?

O tratamento de escolha para as formas cutâneas e linfocutâneas é o iodeto de potássio oral ou itraconazol. Para formas graves ou disseminadas, anfotericina B pode ser necessária. A duração do tratamento é prolongada, até a cura clínica e micológica.

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