IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2024
Escolar de 8 anos tem lesão nodular em região infraorbitária e linfonodo periauricular, sem sinais de porta de entrada aparente ou febre, foi tratado com cefalexina. VO sem sucesso. Foi internado para antibioticoterapia venosa com oxacilina clindamicina, evoluindo com drenagem espontânea da lesão, mantendo-se sem sinais sistêmicos, afebril, porém sem resolução da lesão. Convive com gato que apresenta lesão de pele. O tratamento ADEQUADO para a hipótese mais provável é:
Lesão nodular/linfonodo periauricular em criança + contato com gato com lesão = Esporotricose. Tratamento 1ª linha: Itraconazol.
O quadro clínico de lesão nodular persistente, linfonodo periauricular e contato com gato com lesão de pele sugere fortemente esporotricose, uma micose subcutânea causada por Sporothrix schenckii. O tratamento empírico com antibióticos bacterianos não foi eficaz, e o itraconazol é a droga de escolha para as formas cutâneas da doença.
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix schenckii, comumente associada a traumas com material vegetal contaminado ou, mais recentemente e de forma crescente no Brasil, por transmissão zoonótica, principalmente de gatos. A doença pode se apresentar em formas cutâneas (fixa ou linfocutânea), extracutâneas ou disseminadas. Em crianças, a apresentação linfocutânea é frequente, caracterizada por lesões nodulares ou ulceradas que seguem o trajeto dos vasos linfáticos, acompanhadas de linfadenopatia regional. O diagnóstico da esporotricose é clínico-epidemiológico, com confirmação laboratorial por cultura do fungo a partir das lesões ou biópsia. É crucial considerar a história de contato com animais, especialmente gatos com lesões de pele. O tratamento empírico com antibióticos para infecções bacterianas é ineficaz, como demonstrado no caso, e pode atrasar o diagnóstico e manejo adequado. O itraconazol é o antifúngico de primeira linha para as formas cutâneas e linfocutâneas da esporotricose, com boa resposta terapêutica. A duração do tratamento é prolongada, geralmente de 3 a 6 meses, e deve ser mantida até a cura clínica e micológica. Para residentes, é fundamental estar atento a quadros cutâneos persistentes, especialmente em crianças com histórico de contato com animais, para evitar atrasos no diagnóstico de micoses como a esporotricose.
A esporotricose em crianças pode se manifestar como lesões nodulares, úlceras ou placas na pele, frequentemente associadas a linfadenopatia regional (linfonodos aumentados), especialmente após contato com gatos.
O itraconazol é um antifúngico triazólico com excelente atividade contra o Sporothrix schenckii, o agente etiológico da esporotricose, sendo eficaz e bem tolerado para as formas cutâneas e linfocutâneas da doença.
A esporotricose é uma zoonose transmitida principalmente pelo contato com gatos infectados, que podem ter lesões na pele e nas unhas. A transmissão ocorre por arranhões, mordidas ou contato direto com as lesões dos animais.
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