Esporotricose: Diagnóstico e Manejo de Lesões por Gatos

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 60 anos, moradora do Rio de Janeiro, diabética tipo 2 e hipertensa em uso de metformina e enalapril, é atendida no ambulatório devido a presença de lesões na mão direita.O quadro teve início há 1 (um) mês, quando notou presença de rubor na mão direita que evoluiu com nodulação e zonas de ulceração, crostas e exsudado purulento. Referia, ainda, que, cerca de 2 semanas antes do aparecimento da lesão, sofrera um traumatismo causado por arranhadura do gato do vizinho. Exame físico: afebril, bom estado geral, Pressão arterial (PA) = 130 x 90 mmHg. Presença de lesões inflamatórias, algumas nodulares e outra de bordos elevados e irregulares com áreas de ulceração crostosa com pouco exsudato purulento. Não foram identificadas adenopatias loco-regionais à palpação, nem outras áreas de alteração da pele. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) esporotricose 
  2. B) talaromicose 
  3. C) nocardiose 
  4. D) paracoccidioidomicose

Pérola Clínica

Lesão nodular/ulcerada em mão após arranhadura de gato, especialmente no RJ = Esporotricose.

Resumo-Chave

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do gênero Sporothrix, frequentemente associada a arranhaduras de gatos, especialmente em áreas endêmicas como o Rio de Janeiro. As lesões cutâneas podem ser nodulares, ulceradas e com exsudato, evoluindo de forma linfangítica.

Contexto Educacional

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos dimórficos do gênero Sporothrix, sendo o Sporothrix schenckii o principal agente etiológico no Brasil. Caracteriza-se por lesões cutâneas que podem se manifestar como nódulos, úlceras ou placas, frequentemente com disseminação linfática. A doença é considerada uma zoonose, com gatos sendo importantes vetores de transmissão, especialmente em áreas endêmicas como o estado do Rio de Janeiro. A transmissão ocorre geralmente por inoculação traumática do fungo na pele, seja por espinhos de plantas, madeira ou, de forma crescente, por arranhaduras ou mordidas de gatos infectados. O período de incubação varia de semanas a meses. As lesões podem ser fixas (localizadas) ou linfangíticas, onde múltiplos nódulos aparecem ao longo do trajeto linfático, sugerindo a disseminação do fungo. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, reforçado pela história de contato com gatos ou solo, e confirmado por cultura do material da lesão. O tratamento de escolha para as formas cutâneas é o itraconazol oral. A alta prevalência no Rio de Janeiro e a história de arranhadura de gato tornam a esporotricose a hipótese mais provável neste cenário clínico, exigindo alta suspeição por parte dos profissionais de saúde.

Perguntas Frequentes

Quais são as formas clínicas mais comuns da esporotricose?

As formas clínicas mais comuns são a cutânea localizada (lesão única), cutânea linfangítica (lesões nodulares ao longo dos vasos linfáticos) e, menos frequentemente, a forma disseminada ou extracutânea, que pode afetar ossos, articulações e pulmões.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da esporotricose?

O diagnóstico é feito por cultura de material das lesões (pus, biópsia) em meio de Sabouraud, onde se observa o crescimento de colônias de Sporothrix. Exame micológico direto pode mostrar leveduras, mas é menos sensível.

Qual o tratamento de escolha para a esporotricose cutânea?

O tratamento de escolha para a esporotricose cutânea é o itraconazol oral por 3 a 6 meses, ou até 2 a 4 semanas após a cura clínica. Em casos de formas mais graves ou disseminadas, pode ser necessário anfotericina B.

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