Dor Lombar em Usuário de Drogas: Investigação e Conduta

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 37a, chegou ao Pronto Atendimento com história de dor na região lombar, sem irradiação, há duas semanas. Antecedentes pessoais: uso de cocaína injetável. Exame físico: T=38,2°C; PA=118x78mmHg; FC=92bpm; FR=20irpm. Dor à palpação sobre L4 e L5, com piora à hiperextensão e flexão do tronco. Presença de marcas de injeção nos antebraços, restante do exame físico normal. Teste para HIV, hemograma, hemocultura e urocultura em andamento. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Prescrever antibioticoterapia, analgesia e liberar a paciente.
  2. B) Realizar punção liquórica.
  3. C) Solicitar ressonância magnética de coluna lombar.
  4. D) Solicitar radiograma de coluna lombar.

Pérola Clínica

Dor lombar + febre + uso de drogas injetáveis → suspeitar infecção vertebral (espondilodiscite/abscesso epidural). RM é padrão-ouro.

Resumo-Chave

Em paciente com dor lombar, febre e histórico de uso de drogas injetáveis, a alta suspeita de infecção vertebral (espondilodiscite, abscesso epidural) exige investigação imediata com Ressonância Magnética da coluna lombar para diagnóstico e planejamento terapêutico.

Contexto Educacional

A dor lombar é uma queixa comum, mas em pacientes com fatores de risco como uso de drogas injetáveis e febre, a suspeita de infecção vertebral é crucial. A espondilodiscite infecciosa e o abscesso epidural espinhal são condições graves que podem levar a sequelas neurológicas permanentes ou sepse se não diagnosticadas e tratadas precocemente. A epidemiologia mostra que usuários de drogas injetáveis têm risco aumentado de bacteremia e infecções metastáticas, incluindo as vertebrais. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica de bactérias (mais comumente Staphylococcus aureus) para o espaço discal ou vertebral, causando inflamação e destruição tecidual. A dor é frequentemente progressiva, piora com o movimento e pode ser acompanhada de febre, calafrios e, em casos avançados, déficits neurológicos. O diagnóstico requer um alto índice de suspeita, exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS, hemoculturas) e, fundamentalmente, a Ressonância Magnética da coluna, que é o padrão-ouro para visualizar as alterações inflamatórias e infecciosas. A conduta inicial inclui estabilização do paciente, coleta de culturas e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, ajustada após os resultados das culturas. A analgesia é essencial. Em casos de abscesso com compressão medular ou falha do tratamento clínico, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. O prognóstico depende do diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações graves.

Perguntas Frequentes

Qual a principal suspeita diagnóstica em um usuário de drogas injetáveis com dor lombar e febre?

A principal suspeita é de infecção vertebral, como espondilodiscite (infecção do disco e vértebras adjacentes) ou abscesso epidural espinhal, devido ao risco de bacteremia associado ao uso de drogas injetáveis.

Qual o exame de imagem de escolha para investigar infecção vertebral?

A Ressonância Magnética (RM) da coluna lombar é o exame de imagem de escolha, pois oferece alta sensibilidade e especificidade para detectar espondilodiscite, osteomielite e abscessos epidurais.

Por que a radiografia simples não é suficiente para o diagnóstico inicial?

A radiografia simples pode não mostrar alterações significativas em fases iniciais de infecções vertebrais, tornando-se útil apenas em estágios mais avançados, quando já há destruição óssea. A RM é superior para detecção precoce.

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