Espondilodiscite: Diagnóstico em Pacientes Renais Crônicos

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Paciente 54 anos, masculino, em hemodiálise há 5 anos devido a hipertensão arterial, deu entrada com queixa de dor lombar há 3 meses com piora no último mês de caráter mecânico. Queixa de febre diária no final do dia de 39°C. Ao exames: paciente acamado devido à dor, lasègue positivo. De acordo com o caso clínico, responda: qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Espondilodiscite.
  2. B) Infecção do trato urinário.
  3. C) Pielonefrite.
  4. D) Hérnia de disco.
  5. E) Endocardite.

Pérola Clínica

Paciente em hemodiálise + dor lombar crônica com febre e Lasègue positivo → Alta suspeita de Espondilodiscite.

Resumo-Chave

A espondilodiscite é uma infecção grave do disco intervertebral e das vértebras adjacentes, que deve ser fortemente suspeitada em pacientes imunocomprometidos, como aqueles em hemodiálise, que apresentam dor lombar persistente associada à febre. O Lasègue positivo indica irritação radicular, um achado comum nessa condição, e a febre diária reforça a natureza infecciosa/inflamatória.

Contexto Educacional

A espondilodiscite é uma infecção do espaço discal intervertebral e das vértebras adjacentes, que pode ser causada por bactérias (mais comum, Staphylococcus aureus) ou fungos. É uma condição séria que pode levar a deformidades vertebrais, instabilidade e déficits neurológicos se não tratada. Pacientes em hemodiálise são particularmente suscetíveis devido ao seu estado de imunossupressão crônica e à presença de acessos vasculares que podem servir como focos de bacteremia. O diagnóstico da espondilodiscite é frequentemente desafiador devido à apresentação insidiosa e à sobreposição de sintomas com outras causas de dor lombar. A suspeita deve ser alta em pacientes com dor lombar persistente, especialmente se associada a febre, calafrios ou outros sinais sistêmicos de infecção. A dor pode ter características mecânicas ou inflamatórias. O exame físico pode revelar dor à palpação vertebral, limitação de movimentos e, em casos de compressão radicular, sinais como Lasègue positivo. A investigação diagnóstica inclui exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS) que geralmente mostram elevação de marcadores inflamatórios. A ressonância magnética da coluna é o padrão-ouro para o diagnóstico por sua alta sensibilidade e especificidade. O tratamento envolve antibioticoterapia prolongada, guiada por cultura e antibiograma, e, em alguns casos, intervenção cirúrgica para descompressão ou estabilização.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco aumentam a chance de espondilodiscite em pacientes renais crônicos?

Pacientes em hemodiálise têm risco aumentado de espondilodiscite devido à imunossupressão, acesso vascular (fístulas, cateteres) que pode ser porta de entrada para infecções, e a própria uremia que compromete a imunidade.

Como a espondilodiscite se manifesta clinicamente?

A espondilodiscite geralmente se apresenta com dor lombar persistente, que pode ser de caráter inflamatório (piora à noite, melhora com atividade) ou mecânico. Febre, calafrios, perda de peso e sinais neurológicos (como Lasègue positivo) são comuns, indicando compressão radicular ou medular.

Qual o papel dos exames de imagem no diagnóstico da espondilodiscite?

A ressonância magnética (RM) da coluna é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico da espondilodiscite, demonstrando edema ósseo, alterações discais e coleções. Radiografias simples e tomografia computadorizada podem ser úteis, mas são menos sensíveis para alterações precoces.

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