CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2014
A respeito das espondiloartropatias é correto afirmar:
Espondilite Anquilosante → Uveíte anterior aguda, unilateral e recorrente.
As manifestações oculares nas espondiloartropatias variam; enquanto a EA foca em uveíte, a artrite psoriásica e a reativa frequentemente apresentam conjuntivite.
As espondiloartropatias soronegativas compartilham características clínicas e genéticas, como a ausência de fator reumatoide e a associação com o HLA-B27. O envolvimento ocular é uma marca registrada desse grupo de doenças, muitas vezes sendo o sinal inicial que leva ao diagnóstico sistêmico. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória mediada por células T em tecidos ricos em colágeno, como a entese e a úvea. O diagnóstico diferencial entre as diferentes espondiloartropatias baseia-se no padrão de acometimento ocular (agudo vs crônico, unilateral vs bilateral) e nos sintomas sistêmicos associados, sendo a uveíte anterior aguda da Espondilite Anquilosante o modelo clássico de inflamação ocular imunomediada.
A uveíte anterior aguda (UAA) é a manifestação extra-articular mais comum da Espondilite Anquilosante, ocorrendo em até 40% dos pacientes. Ela é tipicamente unilateral (embora possa alternar entre os olhos em episódios diferentes), súbita, não granulomatosa e recorrente. O paciente apresenta dor ocular intensa, fotofobia e hiperemia ciliar. Existe uma forte associação com o marcador genético HLA-B27. O tratamento precoce com corticoides tópicos e midriáticos é essencial para prevenir complicações como sinéquias posteriores e catarata secundária.
Na Artrite Psoriásica, a manifestação ocular mais frequente é a conjuntivite, acometendo cerca de 20% dos pacientes. Diferente da Espondilite Anquilosante, a uveíte na artrite psoriásica tende a ser mais insidiosa, podendo ser bilateral e, em alguns casos, apresentar um curso crônico ou envolver o segmento posterior (uveíte posterior ou panuveíte). Outras alterações menos comuns incluem episclerite e ceratite. O reconhecimento dessas manifestações é importante para o manejo conjunto entre o reumatologista e o oftalmologista.
A Síndrome de Reiter, atualmente denominada Artrite Reativa, é caracterizada pela tríade clássica de artrite, uretrite e conjuntivite. A conjuntivite é a alteração ocular mais comum, sendo geralmente leve, bilateral, mucopurulenta e autolimitada, surgindo logo após a infecção desencadeante (entérica ou urogenital). No entanto, esses pacientes também podem desenvolver uveíte anterior aguda, que costuma ser mais grave e persistente que a conjuntivite, exigindo tratamento oftalmológico específico para evitar danos permanentes à visão.
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