MedEvo Simulado — Prova 2026
Mulher de 28 anos, com queixa de dor lombar baixa há 8 meses, de início insidioso. A dor apresenta caráter inflamatório: piora no final da noite e ao despertar, com rigidez matinal de 45 minutos, e melhora significativamente após caminhadas ou exercícios físicos. Relata um episódio prévio de uveíte anterior aguda no olho esquerdo há cerca de um ano, tratado com sucesso por oftalmologista. Ao exame físico, apresenta teste de Schober positivo, com expansibilidade lombar de apenas 3 cm, e dor à manobra de Volkmann. Exames laboratoriais revelam Proteína C-Reativa de 18 mg/L, sendo o valor de referência até 5 mg/L, e presença do antígeno HLA-B27. A radiografia de bacia em incidência anteroposterior foi considerada normal por dois radiologistas distintos. Foi solicitada Ressonância Magnética de articulações sacroilíacas, que demonstrou edema ósseo subcondral evidente em sequências STIR, compatível com sacroiliíte ativa. O diagnóstico mais provável é:
Dor lombar inflamatória + RM positiva + RX normal = Espondiloartrite axial não radiográfica.
A espondiloartrite axial não radiográfica é o estágio inicial ou uma forma da doença onde as alterações estruturais ainda não são visíveis no raio-X, mas a inflamação é detectada na RM.
As espondiloartrites axiais formam um espectro de doenças inflamatórias crônicas que afetam predominantemente o esqueleto axial. O diagnóstico precoce é um desafio, pois as alterações no raio-X podem demorar anos para surgir. A introdução da Ressonância Magnética (RM) com sequências sensíveis a líquido (STIR ou T2 com saturação de gordura) revolucionou o diagnóstico ao permitir a visualização do edema ósseo subcondral, que reflete a sacroiliíte ativa. O tratamento visa o controle da dor e da inflamação para preservar a função física e a qualidade de vida. Inicia-se geralmente com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) em doses plenas. Em casos de falha ou alta atividade de doença, os imunobiológicos (como inibidores de TNF ou de IL-17) são indicados, apresentando excelente eficácia na forma não radiográfica.
A principal diferença reside nos achados de imagem nas articulações sacroilíacas. A Espondilite Anquilosante (EA) exige a presença de alterações estruturais definitivas no raio-X simples (sacroiliíte grau ≥ 2 bilateral ou grau 3-4 unilateral, segundo os Critérios de Nova York modificados). Já a Espondiloartrite Axial Não Radiográfica (Eax-nr) ocorre quando o paciente apresenta sintomas clínicos típicos e evidência de inflamação aguda (edema ósseo subcondral) na Ressonância Magnética, mas o raio-X ainda é normal ou apresenta alterações mínimas que não preenchem os critérios para EA.
A dor lombar inflamatória, característica das espondiloartrites, diferencia-se da dor mecânica por cinco parâmetros principais: 1) Início insidioso (antes dos 45 anos); 2) Melhora com o exercício/movimentação; 3) Ausência de melhora com o repouso; 4) Dor noturna (frequentemente acordando o paciente na segunda metade da noite); 5) Rigidez matinal prolongada (geralmente superior a 30 minutos). No caso clínico, a paciente apresenta todos esses elementos, além de manifestação extra-articular (uveíte anterior), o que eleva muito a probabilidade diagnóstica.
O HLA-B27 é um marcador genético presente em cerca de 80-90% dos pacientes com espondiloartrite axial. Sua presença aumenta significativamente a probabilidade pós-teste do diagnóstico em pacientes com dor lombar crônica. A PCR elevada é um marcador de atividade inflamatória e está associada a uma melhor resposta ao tratamento com anti-TNF e a uma maior chance de progressão radiográfica. Ambos fazem parte dos critérios classificatórios do ASAS (Assessment of SpondyloArthritis international Society) para espondiloartrite axial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo